O Porto de Aratu, em Candeias, recebeu neste mês de abril uma embarcação que chama atenção não só pelo porte, mas pela tecnologia embarcada. O navio gaseiro Brilliant Future atracou pela primeira vez na Bahia trazendo mais de 18 mil toneladas de etano, matéria-prima essencial para a indústria petroquímica instalada no Polo Industrial de Camaçari.
Construída na China, a embarcação impressiona pelas dimensões: são 188 metros de comprimento e 29 metros de largura, o equivalente a quase dois campos de futebol lado a lado. A capacidade chega a 19 mil toneladas de carga, garantindo escala e regularidade no abastecimento industrial. Desde que foi entregue, em janeiro de 2025, o navio já percorreu rotas entre Estados Unidos, México, Ásia, Europa e Brasil, consolidando sua atuação em circuitos globais.

Projetado para o transporte de gases liquefeitos, o navio opera em condições extremas, mantendo o etano a cerca de 90 graus negativos. Segundo Hardi Schuck, líder da Braskem Trading & Shipping, a embarcação reúne soluções tecnológicas voltadas à eficiência energética e à redução de emissões. “Ele transporta etano a uma temperatura de 90 graus abaixo de zero e tem um motor flex que pode utilizar combustível normal ou etano. A nossa prioridade é o uso de etano como combustível, e nesse caso, a redução de emissões de CO2 chega a 40% em comparação com a média dos navios existentes no mercado”, explica.
Outro diferencial está nos tanques do tipo estrela-trilobado, que ampliam o aproveitamento do espaço interno e aumentam em quase 30% a capacidade de carga em relação a modelos convencionais de mesmo tamanho. A estabilidade da embarcação também é beneficiada por esse formato. Na navegação, recursos como o leme Twist-Flow e as hélices Kappel contribuem para reduzir o consumo de combustível e melhorar o desempenho.

A chegada do Brilliant Future reforça a rota entre o Texas, nos Estados Unidos, e a Bahia, ampliando o fluxo de etano para a cadeia petroquímica local. “O etano é uma das matérias-primas mais competitivas da indústria petroquímica no momento e sua chegada amplia as alternativas para aumentar a competitividade e a sustentabilidade das nossas operações”, destaca Carlos Alfano, diretor industrial da Braskem na Bahia.
Embora integre a estratégia logística internacional da empresa, o navio não opera na cabotagem brasileira. Segundo Molina, sua atuação permanece voltada às rotas globais, conectando diferentes mercados e garantindo maior previsibilidade no transporte de insumos.