Projeto de US$ 5,7 bilhões na Chapada Diamantina aposta em ferro verde e energia limpa

Projeto de US$ 5,7 bilhões na Chapada Diamantina aposta em ferro verde e energia limpa

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Felipe Abreu/Associação Quilombola Bocaina

Publicado em 24/04/2026 às 09:43 / Leia em 3 minutos

A corrida global por cadeias de suprimento mais seguras e sustentáveis, impulsionada por conflitos geopolíticos e pela crise climática, abre uma janela estratégica para o Brasil, e especialmente para a Bahia, se posicionar como protagonista na produção de insumos industriais de baixo carbono. A avaliação é de Bob Davies, diretor-técnico da Brazil Iron, que prepara um plano robusto de investimentos no estado.

Com uma área de 430 km² em Piatã, na Chapada Diamantina, a companhia aguarda licenças ambientais para iniciar plenamente suas operações, mas já projeta investir US$ 5,7 bilhões nos próximos cinco anos. O foco é explorar o potencial do chamado “ferro verde”, produzido com baixa emissão de carbono, o que pode transformar a região em um polo estratégico da nova siderurgia global.

Segundo Davies, em entrevista ao Valor Econômico, o setor vive uma “bifurcação”, em que o minério de baixa qualidade, dependente de combustíveis fósseis, perde competitividade diante de regulações ambientais mais rígidas, como o Mecanismo de Ajuste de Fronteira de Carbono, que taxa produtos conforme suas emissões. Nesse cenário, o Brasil ganha destaque por reunir reservas minerais e ampla oferta de energia limpa, especialmente no Nordeste.

“O mundo precisa de ferro para descarbonizar e não há como fugir do fato de que o Brasil tem o que o mundo precisa. O Brasil é onde a energia limpa está disponível”, afirma o geólogo.

A disponibilidade de fontes renováveis é vista como essencial para viabilizar o uso de fornos elétricos a arco, tecnologia que substitui os modelos tradicionais movidos a carvão na produção de aço. A mudança é considerada crucial, já que a indústria do ferro responde por cerca de 8% das emissões globais de carbono, enquanto a siderurgia chega a aproximadamente 25%.

Davies destaca que o potencial brasileiro vai além da extração mineral e pode impulsionar o desenvolvimento regional, caso haja políticas que incentivem investimentos de longo prazo e agregação de valor. “O ideal é desenvolver estratégias para vender não somente para a China, que é o grande comprador, mas também para países como Estados Unidos e Japão. É o que queremos fazer com o ferro verde a partir de nossa produção na Bahia. Isso ajudará a desenvolver localmente a região”, diz.

Mesmo com o aumento de tensões internacionais e a priorização de gastos militares por diferentes países, o executivo avalia que a agenda de descarbonização seguirá relevante, ainda que em ritmo mais lento. “A guerra atual [no Irã] está gerando justamente uma crise energética por causa do petróleo”, observa. “Então, a descarbonização continua sendo uma oportunidade em termos energéticos. O ritmo da transição pode diminuir, mas o movimento não vai parar”, defende.

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