A chef brasileira Alessandra Montagne, prestes a inaugurar um restaurante no Museu do Louvre, prepara também um passo inédito em sua trajetória: comandar seu primeiro projeto fixo no Brasil, dentro de um novo resort de luxo no litoral norte da Bahia.
À frente da gastronomia do Nanö Beach Hotel, empreendimento de alto padrão que será inaugurado em novembro em Subaúma, no município de Entre Rios, a chef mineira radicada em Paris assinará o restaurante principal do hotel, sua estreia liderando a cozinha de um empreendimento hoteleiro no país.
Há quase três décadas na França, Alessandra construiu uma carreira sólida e respeitada, com casas como o Nosso e o Tempero, e vive um momento de projeção internacional. Eleita uma das mulheres mais poderosas pela Forbes em 2024, ela se prepara agora para abrir também um restaurante dentro do Louvre, a convite do chef Alain Ducasse.
Mesmo com o reconhecimento global, sua relação profissional com o Brasil sempre foi pontual, restrita a eventos e jantares especiais, cenário que muda com o novo projeto na Bahia. “Não era uma questão de oportunidade, mas de sentido. Eu precisava que esse primeiro projeto carregasse uma dimensão emocional e simbólica forte, e o timing veio de forma muito intuitiva. Estou em um momento em que posso escolher projetos que têm alma. O Brasil mudou, eu também mudei, e esse encontro acontece agora com muita clareza”, conta a chef à Forbes.
O convite partiu do empresário belga Antoine Painblanc, responsável por um investimento de R$ 120 milhões no novo resort à beira-mar. “Percebemos que ninguém melhor do que uma brasileira que conquistou o mundo para reinterpretar nossas raízes”, diz ele. “É um marco sermos o primeiro hotel a receber a assinatura dela no Brasil, unindo a precisão francesa ao calor e aos sabores autênticos da Bahia”.
A proposta gastronômica será justamente esse encontro entre França e Brasil, com forte inspiração na culinária baiana. Alessandra adianta que pretende explorar ingredientes locais com técnica refinada, sem perder a identidade do território. “Quero um diálogo entre os dois países”, afirma, citando o uso do dendê com leveza e equilíbrio. “Um peixe com uma cocção muito precisa, mas com um molho que lembra a cozinha de casa, com dendê tratado com delicadeza, com acidez, com leveza”, exemplifica.
Outro pilar da cozinha da chef é a naturopatia, especialidade que ela incorpora aos pratos por meio de ervas e plantas medicinais, priorizando equilíbrio, digestibilidade e respeito ao corpo. A ideia, segundo ela, não é rotular a cozinha como “saudável”, mas criar experiências que aliem sabor, técnica e bem-estar.
Com ambição de se tornar um restaurante-destino na região, aberto também a não hóspedes, o espaço promete uma culinária contemporânea, conectada ao território e emocionalmente marcante. “Uma cozinha que emociona sem pesar, que honra o território, mas com uma leitura contemporânea”, resume.