Salvador 477 anos: moradores contam os melhores motivos para passar uma tarde em Itapuã

Salvador 477 anos: moradores contam os melhores motivos para passar uma tarde em Itapuã

Redação Alô Alô Bahia

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José Mion/Alô Alô Bahia

Dante Laurini Jr.

Publicado em 26/03/2026 às 14:03 / Leia em 6 minutos

Se existe um lugar em Salvador onde o tempo parece caminhar em outro ritmo, esse lugar atende pelo nome de Itapuã. No aniversário da cidade, celebrado no próximo domingo (29), é quase inevitável lembrar da canção de Vinícius de Moraes e, mais do que isso, sentir que o espírito daquela “tarde em Itapuã” ainda resiste, vivo, no cotidiano de quem mora e trabalha no bairro.

Itapuã não é só cenário: é experiência. É chegar sem pressa, sentir a brisa, escolher um canto de areia e deixar o dia acontecer. Para o sommelier Jorge de Jesus dos Santos, essa relação vem de longe. Ele lembra que, ainda criança, quando morava em Nilo Peçanha, no baixo sul da Bahia, passava férias no bairro e se encantava com o Abaeté, quando a região era ponto de encontro movimentado.

Por do sol em Itapuã | Foto: Acervo/Jorge dos Santos

Anos depois, já morando em Salvador, foi justamente em Itapuã que começou a trabalhar, mais precisamente na região do farol. “Passei algumas tardes nesse paraíso. Viver nessa região, ser ‘itapuãzeiro’, é uma forma de orgulho”, diz. Para ele, o bairro reúne atributos únicos: a força da gastronomia, as praias, a cultura marcada por pescadores, capoeira e samba, além da receptividade das pessoas. “As pessoas de Itapuã são encantadoras, com sorriso farto e uma receptividade que nos torna um povo único”, diz.

Esse espírito aparece também nos pequenos rituais do dia a dia. Caminhar nas dunas do Parque Metropolitano do Abaeté, ver o pôr do sol na região – “um dos melhores da cidade” -, fazer um piquenique à beira da lagoa ou simplesmente sentar em um bar de praia para petiscar e brindar com um vinho branco gelado. “Viver em Itapuã é uma dádiva”, resume Jorge.

Lagoa do Abaeté | Foto: Manu Dias/GOVBA

Para ele, uma tarde perfeita em Itapuã se desenha sem esforço, quase como um roteiro afetivo que se repete e nunca cansa. “Hoje mesmo passei uma tarde em Itapuã”, contou, no dia em que conversou com o Alô Alô Bahia. “Comecei pelo Ki-Mukeka do Farol, com uma moqueca de camarão incrível. Depois segui para a Cabana da Sônia, que tem, pra mim, a melhor casquinha de siri da região. No fim da tarde, parei no Alerta Praia Bar pra ver o pôr do sol, e finalizei no Armazém Paulistano, já em Jaguaribe, que tem o melhor happy hour e ambiente”, diz sobre o percurso simples, mas que traduz bem o espírito do bairro: comer bem, contemplar o mar e deixar o tempo passar no ritmo certo.

Também morador do bairro, que tem uma centenária lavagem pra chamar de sua, Michael Santana traduz Itapuã em poucas palavras e muitas sensações. “Itapuã é um lugar bom de se viver. Itapuã é Itapuã!”, afirma entusiasmado. Para ele, o bairro tem de tudo, pagode, samba, acarajé, praia, esporte, espetinho, feijoada. A rotina é marcada por encontros, seja no Acarajé da Cira ou da Dri, nas rodas de samba, no partido alto do Alto do Coqueirinho, e nas feijoadas de domingo. “Feijoada do Careca todos os domingos de manhã. Cinco da manhã já tem feijoada. Aquela feijoada gostosa, gorda”, indica.

Lavagem de Itapuã é tradição centenária | Foto: Jefferson Peixoto/Secom PMS

Para ele, a geografia afetiva do bairro é simples. “O Abaeté é minha varanda e a praia é meu quintal”, brinca. E há um momento especial que resume tudo: a maré baixa. “Não existe praia melhor que a de Itapuã com a maré baixa. Vira uma piscina natural, um paraíso”, derrete-se.

Esse mesmo encanto atravessa décadas na história de quem construiu negócios ali. O empresário Paolo Alfonsi, à frente do Mistura, chegou ao bairro há quase quatro décadas e nunca mais saiu. O restaurante nasceu de uma barraca de praia, em meio à rotina dos pescadores e ao movimento de quem buscava peixe fresco para levar para casa. “Eu cheguei em Itapuã e ainda estou em casa. Casa e trabalho”, conta.

Por do sol com Sereia de Itapuã ao fundo | Foto: Valter Pontes

Ele lembra de um tempo em que a igreja era um cartão-postal isolado e o bairro tinha um ritmo ainda mais tranquilo. “Não tinha nada ao redor dela. Só tinha uma baiana de acarajé, perto do único bar-restaurante que tinha, que se chamava Língua de Prata”, lembra.

Mas, para além das mudanças, algo permanece. “Sempre teve o encanto”, diz. A proximidade com a colônia de pesca moldou a identidade do Mistura e da própria cozinha local, onde ingredientes do mar ganham protagonismo. “Existe um prato que é a cara de Itapuã. Spaghetti allo Scoglio”, diz, sobre o clássico prato italiano de massa com frutos do mar, típico das regiões costeiras, com direito a mexilhões, vôngoles, lulas e camarões.

Frutos do mar são protagonistas no Mistura | Foto: Leonardo Freire

Passar uma tarde em Itapuã também é descobrir seus caminhos. Do clássico Farol às ruas que levam ao mar, como a Rua K e a Rua da Poesia, há sempre um novo ângulo para o bairro. A Praia de Placaford surge como um dos refúgios mais bonitos, enquanto a Pedra da Sereia rende fotos e rodas de capoeira aos domingos. A feira local, atrás da delegacia, revela a vida pulsante: frutas, peixes frescos, feijoada, temperos e histórias.

Na orla, experiências mais estruturadas também ganham espaço. O Deville Prime Salvador é um dos refúgios clássicos, com conforto de um resort urbano em meio ao verde e com vista privilegiada. Já o Casa di Vina ocupa a área onde Vinícius de Moraes viveu e mantém viva a atmosfera poética do lugar. Beach clubs e restaurantes à beira-mar, como o Alambic Praia Inn e o Villa Baiana, ajudam a compor o roteiro de quem quer esticar a tarde até a noite.

Vista do hotel Deville Prime | Foto: Divulgação

No fim das contas, Itapuã segue sendo aquilo que sempre foi: um estado de espírito. Um lugar onde Salvador respira com mais calma, onde a cultura pulsa na rua e onde o mar dita o ritmo. No aniversário da cidade, celebrar Itapuã é lembrar que, mesmo em uma capital vibrante, ainda existem cantos onde a vida acontece mais devagar e melhor.

O especial Salvador 477 anos do Alô Alô Bahia é oferecido pela Moura Dubeux e Guanabara e conta com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Salvador.

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