Se você passou por algumas localidades da orla de Salvador, da Barra a Stella Maris, pode ter sentido um odor estranho no ar. O cheiro, que para alguns lembrava urina, foi registrado principalmente nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (25).
A explicação envolve fatores naturais e condições específicas do vento. Segundo o professor de canoagem oceânica Bruno Machado, o odor foi provocado pela atuação de um vento Sudoeste, incomum na capital baiana, vindo da região de Morro de São Paulo.
“Se um esgoto solta resíduo naquele dia ou, de repente, até tem um peixe morto grande em fase avançada de decomposição, o vento Sudoeste traz esse odor para a cidade. Por isso, é importante a gente ter consciência de como funcionam esses ciclos naturais de força, intensidade e as consequências da corrente, do vento e da ondulação”, explica.
Esse tipo de vento não é comum na região. Segundo Machado, as previsões indicavam vento Sudeste-Sul, que normalmente influencia as ondulações na Baía de Todos-os-Santos.
Além disso, há indícios da chamada “maré de março”, fenômeno conhecido por moradores da cidade. No entanto, segundo o especialista, essa condição não tem ocorrido com frequência nos últimos anos neste período.
“A maré de março é a tendência de entrada do vento Sul com ondulação e frente fria. Mas essa conjunção não tem chegado mais em março. Por mudanças climáticas, ela tem ocorrido mais em abril. Ainda assim, podemos dizer que houve um sinal hoje”, afirma.
O odor sentido na orla está relacionado ao transporte de resíduos presentes no mar, trazidos pelas correntes e pelo vento atípico. Em condições normais, com predominância de ventos Leste e Sudeste, esse tipo de cheiro não costuma ser percebido na cidade.
A tendência, segundo o especialista, é que os ventos retornem ao padrão habitual nos próximos dias, com influência de sistemas que podem trazer frente fria para a região. Ainda assim, não é possível afirmar se o odor deve persistir.