A região do Matopiba, fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, vem provocando uma transformação econômica e ambiental do território brasileiro. No oeste baiano, cidades como Barreiras, Luís Eduardo Magalhães e São Desidério aparecem como símbolos do avanço do agronegócio irrigado, responsável por impulsionar a produção de soja, algodão, milho e sorgo na região.
Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) mostram que a Bahia mais do que dobrou sua área irrigada em 12 anos. O estado alcançou 251.911 hectares irrigados em 2022, um crescimento de 144,7%. O avanço foi tão acelerado que o oeste baiano ultrapassou Minas Gerais e passou a concentrar a maior área irrigada do Brasil.
A força da irrigação fica evidente nas grandes fazendas da região, onde sistemas simulam chuva em áreas que passam longos períodos de estiagem. Hoje, sete das 15 cidades mais irrigadas do país estão no oeste da Bahia: além das três já citadas, completam a lista Correntina, Jaborandi, Cocos e Riachão das Neves.

A fotografia mostra sistemas de irrigação por pivô central | Foto: Thales Pinto
Grande parte desse crescimento é sustentada pelo Sistema Aquífero Urucuia, considerado um dos principais reservatórios subterrâneos de água do país e estratégico para o abastecimento hídrico do oeste baiano. Estudos do Serviço Geológico do Brasil (SGB) apontam que o aquífero ocupa majoritariamente áreas da Bahia e exerce papel decisivo na manutenção da vazão do Rio São Francisco, especialmente nos períodos de seca.
O Urucuia também abastece rios importantes da região, como os rios Grande e Corrente, além de sustentar a expansão agrícola irrigada que transformou o oeste baiano em uma das áreas mais produtivas do agronegócio nacional e consolidou o Matopiba como uma das regiões que mais crescem no setor.