Munique elege 1º prefeito gay enquanto Alemanha registra aumento da homofobia

Munique elege 1º prefeito gay enquanto Alemanha registra aumento da homofobia

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Redação Alô Alô Bahia

Divulgação

Publicado em 25/03/2026 às 13:41 / Leia em 3 minutos

A cidade de Munique passou por uma mudança histórica em sua administração municipal ao eleger Dominik Krause como prefeito. Aos 35 anos, ele se tornou o primeiro integrante do Partido Verde a assumir o comando da capital da Baviera, encerrando um ciclo de 42 anos de governos do Partido Social Democrata.

Além da vitória política, Krause também é o primeiro prefeito assumidamente gay da cidade. Durante a campanha, no entanto, sua orientação sexual e vida pessoal não foram temas de debate público.

Nascido em 1990, o novo prefeito pertence a uma geração que cresceu em um contexto de maior abertura à diversidade na Alemanha. Formado em física pela Universidade Técnica de Munique, ele se assumiu gay ainda na infância. Krause é noivo do médico Sebastian Müller, com quem mantém relacionamento desde a adolescência. Após a confirmação da vitória, os dois se beijaram no palco da celebração, imagem que ganhou destaque na imprensa alemã.

A trajetória política de Krause começou em 2014, como vereador. Em 2023, ele assumiu o cargo de vice-prefeito e, agora, chega ao comando da cidade em um cenário de desgaste das gestões anteriores, especialmente da administração de Dieter Reiter, que esteve à frente da prefeitura por 12 anos.

Durante a campanha, o prefeito eleito priorizou propostas voltadas à ampliação de áreas verdes, incentivo ao uso de ciclovias e investimentos em moradia popular. Munique se diferencia do restante da Baviera por ter um perfil mais alinhado ao centro-esquerda.

A eleição ocorre em um contexto de aumento de casos de homofobia no país. Em 2025, foram registrados 2.048 crimes desse tipo, o maior número da série histórica, com crescimento contínuo desde 2017 e avanço mais acentuado nos últimos anos. Desde 2010, os registros aumentaram dez vezes.

O cenário acompanha a expansão de movimentos de extrema-direita, que têm intensificado discursos hostis à população LGBTQIA+. O secretário-geral do SPD, Kevin Kühnert, afirmou em entrevista que evita demonstrar afeto em público com o parceiro em Berlim por receio de violência. Em 2024, a chefe da polícia da capital chegou a recomendar cautela a casais gays em determinadas áreas.

No mesmo contexto, duas paradas do orgulho LGBTQIA+ foram canceladas em 2025, nas cidades de Regensburg e Gelsenkirchen, após ameaças. Já o governo do chanceler Friedrich Merz encerrou o plano nacional “Vida Queer”, voltado à promoção de direitos dessa população.

A eleição de Krause também foi comparada a marcos anteriores em outras grandes cidades alemãs. Em 2001, Klaus Wowereit revelou sua homossexualidade antes da eleição em Berlim, declarando: “Sou gay, e isso é uma coisa boa”. Já em 2003, em Hamburgo, Ole von Beust enfrentou uma tentativa de chantagem envolvendo sua orientação sexual, caso que acabou revertido em apoio popular.

Compartilhe

Alô Alô Bahia Newsletter

Inscreva-se grátis para receber as novidades e informações do Alô Alô Bahia