Brasileiro amplia produção de café eugenioides, grão raro que pode render R$ 1 milhão

Brasileiro amplia produção de café eugenioides, grão raro que pode render R$ 1 milhão

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Reuters

Publicado em 25/03/2026 às 11:19 / Leia em 2 minutos

Luiz Paulo Dias Pereira Filho, de Minas Gerais, está ampliando as vendas da única plantação brasileira do raro café eugenioides, apostando em um produto que pode alcançar até 50 vezes o valor dos grãos arábica usados na maioria das bebidas gourmet.

O produtor espera comercializar sua produção de eugenioides, um ancestral da planta arábica, por cerca de R$ 1 milhão a cada 10 sacas padrão de 60 quilos. Segundo ele, o diferencial está no perfil sensorial. “É um café extremamente doce. Não tem amargor, porque o nível de cafeína é praticamente equivalente ao de um descafeinado”, explicou.

Tradicionalmente, Luiz Paulo vende os grãos para mercados como Taiwan e Arábia Saudita. Em 2024, por exemplo, comercializou três sacas de eugenioides  por R$ 90 mil cada.

O desempenho reflete a demanda crescente por cafés especiais e de nicho, mesmo com a retração do mercado global em relação aos picos do ano anterior. Para especialistas, o interesse pelo eugenioides lembra o início da valorização da variedade geisha, no começo dos anos 2000, impulsionada pela raridade e pelo sabor diferenciado.

O cultivo, porém, é desafiador. Sensível ao clima e com baixa produtividade, o eugenioides rende pouco: a expectativa é de apenas duas sacas por hectare — menos de um décimo da média do arábica. Além disso, a planta exige cuidados intensivos, já que não passou por processos de melhoramento genético.

Pereira Filho afirma ainda que há pouquíssimas fazendas no mundo tentando produzir o eugenioides em escala comercial, o que reforça seu caráter exclusivo. 

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