Luiz Paulo Dias Pereira Filho, de Minas Gerais, está ampliando as vendas da única plantação brasileira do raro café eugenioides, apostando em um produto que pode alcançar até 50 vezes o valor dos grãos arábica usados na maioria das bebidas gourmet.
O produtor espera comercializar sua produção de eugenioides, um ancestral da planta arábica, por cerca de R$ 1 milhão a cada 10 sacas padrão de 60 quilos. Segundo ele, o diferencial está no perfil sensorial. “É um café extremamente doce. Não tem amargor, porque o nível de cafeína é praticamente equivalente ao de um descafeinado”, explicou.
Tradicionalmente, Luiz Paulo vende os grãos para mercados como Taiwan e Arábia Saudita. Em 2024, por exemplo, comercializou três sacas de eugenioides por R$ 90 mil cada.
O desempenho reflete a demanda crescente por cafés especiais e de nicho, mesmo com a retração do mercado global em relação aos picos do ano anterior. Para especialistas, o interesse pelo eugenioides lembra o início da valorização da variedade geisha, no começo dos anos 2000, impulsionada pela raridade e pelo sabor diferenciado.
O cultivo, porém, é desafiador. Sensível ao clima e com baixa produtividade, o eugenioides rende pouco: a expectativa é de apenas duas sacas por hectare — menos de um décimo da média do arábica. Além disso, a planta exige cuidados intensivos, já que não passou por processos de melhoramento genético.
Pereira Filho afirma ainda que há pouquíssimas fazendas no mundo tentando produzir o eugenioides em escala comercial, o que reforça seu caráter exclusivo.