Imagine a cena: uma herdeira bilionária de uma das maiores redes de varejo do Brasil, em coma há quase uma década, e sua fortuna de R$ 2 bilhões virando o centro de uma disputa familiar e jurídica. Não é ficção, e sim, a realidade de Anita Harley, bisneta do fundador das Casas Pernambucanas.
Anita Louise Regina Harley, aos 76 anos, é a maior acionista individual da Nopasa, a holding que controla metade do império Pernambucanas. Desde 2016, um AVC a mantém internada em coma, incapaz de tomar decisões. E como ela não deixou testamento e, não tem filhos biológicos, o destino da herança de Anita é disputado por um trio inusitado.
Cristine Rodrigues: Ex-assessora pessoal de Anita, ela baseia sua defesa em um ‘Testamento Vital’ de 1999, que a nomeava para decidir sobre a saúde e os bens da empresária em caso de incapacidade, porém, a Justiça invalidou o documento, e a briga continua nos tribunais.
Sônia Aparecida Soares: Funcionária que viveu por décadas na mansão de Anita, ela conseguiu o reconhecimento judicial de união estável com a empresária no ano passado. Isso a coloca como uma figura central na disputa pela herança e pela curatela.
Arthur Miceli: Filho biológico de Sônia, ele teve a maternidade socioafetiva de Anita reconhecida pela Justiça. Por um tempo, Arthur chegou a ser o curador oficial dos bens da herdeira, com poder de voto nas decisões da Pernambucanas.
Arthur Miceli assumiu essa a curatela de Anita em 2022, tirando o poder de um advogado que administrava desde 2017. Em 2023, a própria mãe de Arthur, Sônia, entrou na Justiça para tirar o filho do cargo e assumir a curatela. O pedido inicial foi negado, mas o recurso ainda aguarda julgamento. Se Sônia vencer, ela se tornará a voz oficial de quase metade da holding que controla a gigante do varejo.
A Pernambucanas, avaliada em R$ 2 bilhões em 2022 pela Forbes, tem mais de 115 anos de história, 500 lojas e 14 mil colaboradores, e busca expansão digital para reverter prejuízos recentes.
A administração da varejista reporta-se a um conselho que tenta blindar a operação comercial dos conflitos familiares. Recentemente, em agosto de 2024, houve até uma troca no comando, com Ricardo Doebeli assumindo como CEO para acelerar vendas.