Salvador é a única cidade brasileira com dois projetos selecionados no Mutirão Brasil, programa internacional que vai apoiar iniciativas de mobilidade urbana e gestão de resíduos em todo o país. O resultado foi anunciado nesta terça-feira (24), durante a 89ª Reunião Geral da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), em Curitiba.
Ao todo, 39 propostas de 34 municípios e dois estados foram escolhidas para receber assessoria técnica especializada, entre mais de 150 inscrições. A iniciativa é apoiada pela Bloomberg Philanthropies e conduzida pelas redes C40 Cities e Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia, com foco em transformar metas climáticas em ações concretas nas cidades.
No cenário nacional, Salvador se destaca por emplacar dois projetos estratégicos: a eletrificação de pelo menos metade da frota do BRT e a ampliação da malha cicloviária para 700 km (atualmente, a cidade conta com cerca de 300 km).
A capital baiana já possui oito ônibus elétricos em operação e prepara, com apoio do Banco Mundial, a compra de mais cem veículos. A parceria com o Mutirão Brasil deve acelerar esse processo e dar suporte técnico à operação das futuras linhas. No caso das ciclovias, o programa vai contribuir com anteprojetos e produção de dados para expansão da rede.
“O objetivo é tornar os meios de transporte mais sustentáveis e atrativos para a população, gerando benefícios ambientais e avançando na redução de emissões com projetos de impacto”, explica Guillermo Petzhold, diretor de Planejamento de Transportes da Prefeitura de Salvador, ao jornal O Globo.
O Mutirão Brasil não prevê repasse direto de recursos, mas oferece apoio técnico para viabilizar os projetos, inclusive com a indicação de possíveis fontes de financiamento. Entre as iniciativas selecionadas em outras cidades estão a eletrificação de ônibus em capitais como Rio de Janeiro e Belo Horizonte, programas de reciclagem e compostagem em municípios do Pará e do Paraná, além de ações de requalificação urbana e redução do desperdício de alimentos.
As propostas contempladas devem viabilizar, em conjunto, a implantação de cerca de 600 ônibus elétricos, mais de 200 km de infraestrutura cicloviária e 16 km de faixas exclusivas para transporte coletivo, além do tratamento de aproximadamente 20 mil toneladas de resíduos orgânicos por ano, com potencial de evitar até 35 mil toneladas anuais de emissões de metano e CO₂.
A iniciativa surge em um momento em que o Brasil busca cumprir a meta de reduzir entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035, em comparação com os níveis de 2005. Para Hélinah Cardoso Moreira, líder de Engajamento e Diplomacia Climática do Mutirão Brasil, o impacto das ações locais é decisivo.
“A gente sente isso nas cidades, onde as populações vivem. A gente precisa entender que é ali onde a vida da população vai ser modificada. As políticas globais já existem, mas precisamos responder diretamente no território”, afirma. “É uma discussão integrada, porque isso afeta educação, transporte, saúde e infraestrutura”.