Filipe Luís publicou nesta sexta-feira (20), uma nota oficial para esclarecer a resposta dada em coletiva após Lanús x Flamengo, na Argentina, quando foi questionado sobre o episódio de racismo denunciado por Vinícius Júnior no duelo entre Real Madrid e Benfica pela Champions League.
Na entrevista, o treinador afirmou ter sido sempre bem tratado no país e classificou o caso como “isolado”, o que gerou críticas por suposta relativização. No comunicado, ele diz que a fala abriu margem a interpretações e afirma: “em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista”.
O texto reforça que o racismo é crime no Brasil e defende que a punição seja tratada com o mesmo rigor em qualquer lugar. Ele também afirma que, antes do jogo, já havia condenado o episódio em entrevista ao detentor dos direitos de transmissão e diz que não colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso do tipo.
O posicionamento ocorre enquanto o caso segue em análise no âmbito do futebol europeu: o Real Madrid divulgou comunicado de apoio ao atacante, e a Uefa abriu apuração sobre a denúncia envolvendo o jogador do Benfica citado por Vinícius Júnior, em um episódio que voltou a repercutir internacionalmente por declarações de figuras do futebol nos últimos dias.
Confira nota na íntegra:
“Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.
Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.
Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.
Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.
Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune”.