A atriz Laura Cardoso, um dos grandes nomes da dramaturgia brasileira, morreu aos 98 anos, na noite desta segunda-feira (17), em São Paulo. A informação foi divulgada nas redes sociais da artista na madrugada desta terça-feira (18).
Segundo Fernando Faria, bisneto da atriz e responsável pelo perfil dela no Instagram, Laura morreu às 23h24, de causas naturais, em sua casa.
“Nossa grande estrela se despediu de nós. Laura Cardoso estará para sempre em nossos corações. Obrigada por tudo, nossa amada e eterna Laura Cardoso”, diz a publicação.
O velório será realizado ainda nesta terça-feira(18), no Funeral Home ( Bela Vista – SP), das 8h às 14h. A atriz deixa as filhas Fernanda e Fátima, além de três netos.
Com uma carreira de mais de sete décadas, Laura Cardoso acumulou mais de 100 trabalhos, incluindo mais de 60 novelas, além de atuações no cinema e no teatro.
Nascida Laurinda de Jesus Cardoso, no bairro do Bixiga, em São Paulo, a atriz começou a carreira ainda adolescente no radioteatro. Em 1952, estreou nas novelas com “Tribunal do Coração”, exibida pela TV Tupi.
Na televisão, participou de produções que marcaram diferentes gerações. Entre seus trabalhos mais lembrados estão “Mulheres de Areia” (1993), na qual interpretou Isaura, mãe das gêmeas Ruth e Raquel, e diferentes versões de “A Viagem”. Também integrou elencos de novelas como “Chocolate com Pimenta”, “O Profeta”, “Caminho das Índias”, “Império” e “Sol Nascente”.
Seu último trabalho em novelas foi em “A Dona do Pedaço”, em 2019, quando interpretou Matilde Azevedo. Mesmo afastada das produções regulares nos últimos anos, Laura mantinha contrato vitalício com a TV Globo.
Em 2025, participou da gravação da tradicional vinheta de fim de ano da emissora, ocasião em que reencontrou artistas como Tony Ramos e Susana Vieira. No mesmo ano, foi homenageada com uma estrela na Calçada da Fama dos Estúdios Globo.
Laura também construiu trajetória no cinema e no teatro. Atuou em filmes como “Terra Estrangeira” (1995) e em montagens teatrais como “A Megera Domada”. Na dublagem, emprestou sua voz a personagens como Betty Rubble, de “Os Flintstones”.
Em 2006, recebeu a Ordem do Mérito Cultural, reconhecimento por sua contribuição à cultura brasileira.
Em entrevista à revista Quem em 2019, aos 91 anos, Laura falou sobre sua relação com a vida e a morte.
“Não tenho medos, nem da morte. É uma besteira ter medo da morte! Ela é imprevisível, mas inevitável. A gente não sabe quando ela vem, mas que ela é certa para todo mundo, ela é”, declarou na ocasião.
A atriz também resumiu, em outra frase, a relação que manteve com a profissão durante toda a vida: “A gente se aposenta quando vai embora.”