O presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) devem formalizar nesta quinta-feira (22), às 11h, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), autorizações para a abertura de seus sigilos bancário, fiscal e telefônico. A iniciativa ocorre a três dias do segundo turno, marcado para domingo (25), e dá continuidade ao desafio lançado por Lula durante o debate da Band, no último domingo (18).
A discussão ganhou novos desdobramentos após Flávio apresentar 19 exigências para liberar seus dados. A campanha petista afirmou que aceita as condições propostas e pretende formalizar sua posição no tribunal. Entre as cobranças do senador estão a divulgação de informações sobre familiares, pessoas próximas e empresas, além de registros de despesas e atividades do governo.
A assinatura das autorizações, no entanto, não garante que todos os documentos sejam obtidos, examinados e divulgados antes da votação. O processo envolve etapas distintas, desde a permissão para acessar informações protegidas por sigilo até a solicitação dos registros às instituições responsáveis e a eventual publicação do material.
No caso bancário, a medida pode permitir o acesso a extratos, transferências, depósitos, pagamentos e investimentos, dentro do período e dos limites estabelecidos. Isso não significa fornecer senhas de aplicativos ou permitir movimentações nas contas.
A abertura do sigilo fiscal pode abranger declarações de Imposto de Renda, rendimentos, patrimônio, dívidas e outros dados mantidos pela Receita Federal, conforme os termos da autorização. Já o sigilo telefônico pode revelar registros de chamadas, incluindo números envolvidos, datas, horários e duração das ligações. O acesso a mensagens, fotos, áudios e conversas em aplicativos como o WhatsApp não está automaticamente incluído, pois o conteúdo das comunicações está sujeito a regras específicas.
Outro ponto importante é que a autorização de Lula ou Flávio não libera, por si só, os dados de familiares, assessores ou sócios. Para acessar essas informações, é necessária a autorização de cada titular ou uma medida legal que permita a quebra do sigilo.
Após a formalização das autorizações, ainda será necessário estabelecer quais dados serão solicitados, a quais instituições e referentes a quais períodos. Bancos, Receita Federal e operadoras de telefonia armazenam informações diferentes, com procedimentos e prazos próprios para fornecê-las. Documentos relativos a visitas a palácios, voos da Força Aérea Brasileira (FAB) e despesas públicas também dependem dos órgãos responsáveis por esses registros.
O TSE, por sua vez, não é obrigado a realizar uma investigação ampla sobre a vida financeira dos candidatos e de todos os familiares mencionados. A autorização para acesso ou divulgação de dados não implica uma auditoria completa por parte da Corte, nem a publicação automática de todo o material.
Com pouco mais de três dias entre a formalização prevista para esta quinta-feira e a votação de domingo, o prazo é apertado. Embora alguns documentos possam ser obtidos rapidamente, não há garantia de que todas as informações dos envolvidos sejam reunidas, analisadas e divulgadas antes do segundo turno.