As fachadas de alguns prédios antigos da Baixa dos Sapateiros, em Salvador, vão ganhar novas sessões de cinema a partir desta sexta-feira (11), às 17h30. Idealizado pelo produtor cultural e morador da região Geraldo Badá, o projeto Cinema Transcendental propõe projetar filmes ao ar livre nos prédios que marcaram a história cultural da localidade.
A estreia acontece na fachada do Cine Pax, que viveu seus anos de maior movimento entre as décadas de 1950 e 1960 e está desativado desde 1998. Para a primeira edição, foram selecionados os curtas “Paraíso, Juarez”, de Thomas Farkas, e “O que é que a Baixa tem”, da museóloga Bartô Daltro, que retrata a história, os personagens e o comércio da região.
Segundo Badá, a iniciativa pretende chamar atenção para o potencial cultural da Baixa dos Sapateiros e mobilizar a comunidade em torno da preservação de seus espaços.
“A intenção, antes de tudo, é despertar o potencial da Baixa dos Sapateiros, com seus equipamentos culturais de tanta importância (mesmo os abandonados) e sua vizinhança pulsante, mesmo que combalida. Para isso, os cinemas desempenham um papel crucial e projetar filmes do lado de fora será cinematográfico em si mesmo. Um protesto, mas também uma forma de diversão”, diz Badá.
As próximas edições serão itinerantes e devem ocupar outros pontos da região, como o Cine Jandaia e o Camelódromo. A curadoria reúne ainda o poeta James Martins, o jornalista Claudio Leal e o antropólogo Marlon Marcos, com a proposta de combinar filmes clássicos e contemporâneos que dialoguem com cada local.