Salvador recebe mostra gratuita em homenagem à atriz e diretora baiana Helena Ignez; confira

Salvador recebe mostra gratuita em homenagem à atriz e diretora baiana Helena Ignez; confira

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

@myphantomtoy / Reprodução

Publicado em 10/09/2026 às 15:59

A atriz e diretora Helena Ignez terá sua trajetória revisitada em uma programação especial no Cine Glauber Rocha, em Salvador. Entre os dias 10 e 13 de setembro, o espaço recebe uma seleção de filmes que atravessa diferentes momentos da carreira da artista baiana, com obras fundamentais para a história do cinema nacional.

Nascida em Salvador, Helena Ignez teve seus primeiros contatos com a sétima arte justamente na capital baiana. Ela integrou a primeira turma da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia e estreou no cinema em “Pátio” (1959), primeiro curta-metragem de Glauber Rocha. A parceria entre os dois também marcou a vida pessoal da artista, que foi casada com o cineasta e teve com ele a filha, a atriz Paloma Rocha.

A trajetória de Helena, no entanto, ultrapassa a parceria com Glauber. Ao longo de mais de seis décadas de carreira, ela se consolidou como uma das figuras mais marcantes do cinema brasileiro, transitando pelo Cinema Novo, Cinema Marginal e pelo cinema de invenção, tanto diante quanto atrás das câmeras.

A mostra realizada em Salvador integra a programação da Ocupação Helena Ignez, em cartaz no Itaú Cultural, em São Paulo, até 18 de outubro. Os ingressos são gratuitos e serão disponibilizados presencialmente no dia de cada sessão, a partir das 12h30, de acordo com a programação.

‘Pátio’ e ‘A Grande Feira’ abrem programação

A programação começa nesta quinta-feira (10) com dois filmes que ajudam a contar o início da trajetória de Helena Ignez no cinema.

“Pátio” (1959), dirigido por Glauber Rocha, foi a estreia da atriz nas telas. O curta experimental acompanha um casal em uma espécie de coreografia sobre um terraço de azulejos, cercado pelo mar e pela vegetação. A obra chama atenção pelo uso dos corpos, dos sons e dos movimentos de câmera e já revelava a linguagem experimental que marcaria a carreira de Glauber.

Na sequência, será exibido “A Grande Feira” (1961), de Roberto Pires, um dos filmes importantes do cinema moderno brasileiro. Ambientado na tradicional feira de Água de Meninos, em Salvador, o longa acompanha o conflito entre os comerciantes do local e uma empresa imobiliária interessada em retirar a feira da região.

Helena interpreta Ely, uma jovem da elite soteropolitana que se envolve com um homem ligado à boemia e ao cotidiano do cais. O filme também registra um pedaço importante da Salvador daquele período, colocando em cena o contraste entre diferentes classes sociais e entre tradição e modernização da cidade.

‘O Bandido da Luz Vermelha’ é destaque da mostra

Na sexta-feira (11), o público poderá conferir um dos trabalhos mais emblemáticos da carreira de Helena: “O Bandido da Luz Vermelha” (1968), dirigido por Rogério Sganzerla.

Considerado um clássico do Cinema Marginal, o longa é inspirado na história do criminoso João Acácio Pereira da Costa e acompanha a trajetória de um assaltante que desafia a polícia enquanto leva uma vida marcada por violência, extravagância e transgressão.

No filme, Helena interpreta Janete Jane, personagem que se tornou um dos papéis mais lembrados de sua carreira. A produção também marcou um momento decisivo na trajetória da atriz, que passou a ser reconhecida como um dos grandes rostos do Cinema Marginal.

‘Helena de Guaratiba’ e ‘A Mulher de Todos’

O sábado (12) será dedicado a dois momentos distintos da trajetória da artista.

A programação apresenta “Helena de Guaratiba”, obra que integra a produção autoral da própria Helena Ignez, já em uma fase posterior de sua carreira, e “A Mulher de Todos” (1969), outro clássico dirigido por Rogério Sganzerla.

Em “A Mulher de Todos”, Helena interpreta Ângela Carne e Osso, uma personagem marcada pela irreverência e pela liberdade. O longa é considerado uma das obras fundamentais para compreender a radicalidade estética do Cinema Marginal e a atuação de Helena nesse período.

‘Luz nas Trevas’ encerra programação

O encerramento da mostra acontece no domingo (13) com “Luz nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha”, dirigido por Helena Ignez e Ícaro Martins.

Lançado oficialmente em 2012, o filme retoma o universo criado por Rogério Sganzerla em “O Bandido da Luz Vermelha”. Desta vez, Ney Matogrosso assume o papel do personagem-título, em uma história que também acompanha a nova geração ligada ao criminoso.

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