A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) reforçou, nesta quinta-feira (10), o alerta para a intensidade do El Niño que está se formando no Oceano Pacífico. Segundo a nova atualização do Climate Prediction Center (CPC), há 97% de probabilidade de que o fenômeno alcance uma intensidade muito forte a partir do fim de setembro. A agência também estima em 75% a chance de que o episódio entre para a história como um dos mais intensos desde 1950.
O El Niño, caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico Equatorial, vem ganhando força desde junho. A NOAA prevê que o aquecimento continue avançando ao longo dos próximos meses, com o fenômeno atingindo seu provável pico entre a primavera e o início do verão no Hemisfério Norte.
Para o trimestre de outubro a dezembro de 2026, a agência calcula 75% de probabilidade de que o El Niño alcance um nível considerado histórico, isto é, que supere a intensidade dos episódios observados desde 1950. A NOAA também estima em 93% a chance de que as temperaturas do Pacífico Equatorial permaneçam em níveis elevados até janeiro de 2027.
Em agosto, a NOAA já apontava mais de 90% de probabilidade de um El Niño muito forte e estimava em 69% a chance de um evento histórico no trimestre outubro-dezembro.
Modelos experimentais do laboratório de dinâmica geofísica da própria NOAA também apontam para um episódio excepcionalmente intenso. Mesmo com uma pequena redução na previsão do pico em relação ao mês anterior, os 30 membros do conjunto de previsões analisados pelo GFDL indicam um El Niño capaz de competir com os eventos mais fortes já registrados ou até ultrapassá-los.
No Brasil, os efeitos do fenômeno já estão sendo acompanhados por órgãos federais. O Painel El Niño 2026-2027, que reúne informações de instituições como INPE, INMET, Cemaden e ANA, aponta que o fenômeno deve permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. A previsão para setembro a novembro indica maior probabilidade de chuvas acima da média no Sul e abaixo da média no centro-norte do país, além de temperaturas acima da média em grande parte do território.
O cenário é particularmente relevante para o Nordeste, onde a tendência indicada pelos órgãos brasileiros é de condições mais secas. O boletim do Cemaden prevê chuvas abaixo da média na região durante o trimestre setembro-outubro-novembro, enquanto o Serviço Geológico do Brasil (SGB) alerta que a persistência de um cenário mais seco pode dificultar a recuperação dos níveis dos reservatórios nordestinos.
Para a Bahia, a influência do El Niño merece atenção, mas não significa que todo o estado necessariamente terá estiagem. Os efeitos variam de acordo com a época do ano, a localização e a atuação conjunta de outros sistemas atmosféricos. Um boletim climático produzido por instituições do Nordeste já havia apontado maior probabilidade de chuvas abaixo da média no leste da Bahia entre julho e setembro.
A intensidade do El Niño, por si só, também não determina exatamente como será o clima em cada região. A própria NOAA ressalta que eventos mais fortes tendem a aumentar a confiança nas consequências associadas ao fenômeno, mas não garantem que determinado local terá mais ou menos chuva. Por isso, as previsões regionais continuarão sendo atualizadas nos próximos meses.
Com o fenômeno ainda em evolução, a expectativa dos meteorologistas é de que o El Niño continue se fortalecendo até o fim de 2026 e comece a perder intensidade ao longo de 2027. O comportamento das temperaturas do Pacífico nos próximos meses será decisivo para determinar a dimensão dos impactos climáticos no Brasil e no restante do mundo.