Startup transforma resíduos do cacau da Bahia em novos alimentos e chama atenção da Nestlé e da Unesco

Startup transforma resíduos do cacau da Bahia em novos alimentos e chama atenção da Nestlé e da Unesco

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 26/08/2026 às 11:25

Resíduos do cacau que normalmente seriam descartados ou subaproveitados ganharam uma nova finalidade pelas mãos do engenheiro químico Gustavo Rocha, de 28 anos. Mestre e doutorando em Ciência e Tecnologia de Alimentos pela Universidade Federal de Goiás (UFG), ele criou a Nutricandies, startup que utiliza partes do fruto para desenvolver novos alimentos.

Na cadeia convencional do cacau, cerca de 75% a 90% do fruto, incluindo casca e polpa, não é aproveitado na produção tradicional de chocolate. A proposta da empresa é utilizar esses resíduos como matéria-prima para produtos de maior valor agregado.

A iniciativa ganhou projeção internacional ao ser uma das duas únicas selecionadas no Brasil, entre 100 projetos de diferentes países, para o programa Youth Impact: Because You Matter, promovido pela Nestlé em parceria com a Unesco. A Nutricandies recebeu US$ 8,5 mil, cerca de R$ 48 mil, além de nove meses de mentoria estratégica. As informações são da Pequenas Empresas & Grandes Negócios.

Startup transforma resíduos do cacau da Bahia em novos alimentos e chama atenção da Nestlé e da Unesco

A conexão com o cacau da Bahia

A aproximação da startup com a cadeia cacaueira aconteceu em 2022, durante uma visita de Gustavo a produtores do Sul da Bahia. Ao observar o volume de material desperdiçado nas propriedades, o pesquisador direcionou parte do trabalho desenvolvido em laboratório para o aproveitamento do mel de cacau, líquido naturalmente doce extraído da polpa do fruto e altamente perecível.

A partir da matéria-prima, a Nutricandies desenvolveu geleias, bebidas e um produto semelhante ao chocolate, sem gordura e à base de mel de cacau, voltado também a consumidores com restrições alimentares.

A venda direta dos produtos rendeu R$ 70 mil em 2025, e a projeção da startup é alcançar R$ 150 mil em 2026, enquanto avança na busca pelos primeiros contratos com outras empresas.

Produtores baianos participam do projeto

Além de desenvolver produtos próprios, a empresa pretende ampliar sua atuação no mercado B2B, padronizando características do mel de cacau para permitir que o ingrediente seja utilizado pela indústria como adoçante natural.

Para isso, a Nutricandies criou um programa gratuito de capacitação para agricultores familiares, com orientações que vão desde a identificação do potencial dos resíduos até boas práticas de fabricação e técnicas de conservação.

Atualmente, a startup trabalha diretamente com 43 produtores, incluindo polos em Uruçuca e Taboquinhas, no Sul da Bahia, além do Alto Xingu, no Pará. Segundo a empresa, mais de 400 pessoas já foram alcançadas indiretamente pelas ações educativas e workshops.

Somente com três produtores já capacitados para fornecer a matéria-prima dentro dos padrões estabelecidos, foram recuperados mais de uma tonelada de mel de cacau, gerando mais de R$ 14 mil em renda adicional.

De Goiás para Paris

A trajetória da Nutricandies começou antes da atuação com o cacau. Gustavo iniciou suas pesquisas aos 16 anos, durante um curso técnico em química, buscando desenvolver guloseimas com maior valor nutricional. A empresa foi formalizada em 2017, dentro de um programa de incubação da UFG.

Em 2022, o projeto também venceu um prêmio internacional de economia circular promovido pela Thought For Food em parceria com a ONU, em Nova York.

Mais recentemente, os recursos recebidos no programa da Nestlé e da Unesco foram destinados à validação em campo e à estruturação do braço socioambiental da empresa. O ciclo de aceleração terminou com uma imersão em Paris, na França.

 

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