EUA confirmam primeiras mortes por sarampo de 2026 em meio à queda na vacinação

EUA confirmam primeiras mortes por sarampo de 2026 em meio à queda na vacinação

Redação Alô Alô Bahia

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Publicado em 26/08/2026 às 10:29

O sistema de saúde dos Estados Unidos contabilizou os dois primeiros óbitos provocados por sarampo no ano de 2026.

De acordo com o Departamento de Saúde da Pensilvânia, as vítimas moravam no Condado de Lancaster e não haviam recebido o imunizante contra o vírus. Detalhes de identificação, como idade e sexo, foram mantidos em sigilo.

As fatalidades marcam a quebra de um longo período de controle epidemiológico na Pensilvânia, que não registrava vítimas fatais da doença há 35 anos.

O cenário estadual reflete um surto que se espalha pelo país. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) apontam 2.777 infecções confirmadas neste ano, superando todo o volume de 2025, que terminou com 2.289 diagnósticos e três mortes.

O sarampo figura entre as doenças com maior potencial de contágio do mundo. Causada por um vírus de transmissão aérea, a infecção ocorre por meio de tosse, espirro ou respiração, e o patógeno consegue permanecer ativo no ar e em superfícies por um período de até duas horas.

A principal barreira contra a disseminação é a vacina tríplice viral (que protege também contra caxumba e rubéola), um método de imunização consolidado globalmente há mais de 50 anos.

O impacto da cobertura vacinal

O aumento exponencial das infecções é um reflexo direto do distanciamento da população aos postos de saúde. Para que haja proteção coletiva contra o sarampo, é necessário manter uma cobertura de no mínimo 95%.

Contudo, o índice de imunização infantil nos Estados Unidos caiu da faixa dos 95% em 2020 para menos de 93% atualmente.

Especialistas da área indicam que essa retração vem se acumulando desde 2016, tendo ganhado força na pandemia de Covid-19, e encontra respaldo atual nos discursos do presidente Donald Trump e de Robert F. Kennedy Jr., indicado para comandar a pasta da Saúde.

Políticas recentes e desinformação

O cenário sanitário foi diretamente impactado por decisões governamentais recentes. No dia 10 de agosto, Trump assinou uma ordem executiva para alterar o calendário nacional de vacinação das crianças.

O presidente defendeu a paralisação do uso da vacina tríplice viral, sugerindo a troca por aplicações isoladas para cada uma das doenças.

A justificativa para a mudança seria um suposto risco de morte associado ao imunizante conjugado, embora Trump não tenha apresentado pesquisas, estatísticas ou provas para sustentar a alegação.

O discurso oficial também trouxe à tona a falsa correlação entre vacinas e o autismo. A teoria da conspiração tem origem em um estudo de 1998 publicado pelo médico britânico Andrew Wakefield.

A pesquisa, no entanto, foi comprovadamente identificada como uma fraude, o que resultou na cassação da licença médica do autor e na retratação formal da revista científica que havia divulgado o texto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) reitera que levantamentos feitos com milhões de crianças em vários países provam que não há qualquer vínculo entre a imunização e o transtorno.

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