O melhor mel de abelha sem ferrão do Brasil em 2026 saiu da Bahia. Produzido em Jaguaripe, no Recôncavo Baiano, o meliponário Meldoyá conquistou o primeiro lugar no Concurso de Méis Código das Abelhas, realizado no último dia 15 de agosto, em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, com uma amostra de mel de uruçu nordestina colhida em março deste ano.
O reconhecimento reforça uma trajetória que já havia colocado a produção baiana no topo nacional. Em novembro de 2024, a Meldoyá, comandada pelos irmãos e biomédicos Caio e Luisa Vieira, venceu o Concurso Nacional de Méis de Abelhas Sem Ferrão da AME-RIO, considerado o mais antigo do país. Agora, soma o segundo título nacional em dois anos.
O resultado foi ainda mais expressivo porque as duas amostras inscritas pela casa ficaram entre as dez melhores da competição. O mel colhido em março de 2026 conquistou o primeiro lugar, enquanto uma amostra de dezembro de 2025 terminou na nona posição. Ao todo, 18 méis de três estados foram avaliados por seis jurados.
O concurso é realizado pelo Instituto Brasileiro de Sommeliers de Mel (IBSMEL), com apoio da Associação dos Criadores de Abelhas Nativas Paulista (ACANP), e segue protocolos semelhantes aos usados em degustações de vinho, azeite e café. Para evitar interferências visuais, as provas são feitas com colheres e potes pretos.
A avaliação considera aroma, sabor e impressão global, em uma escala de nove pontos. Cada jurado pode dar até 27 pontos, chegando ao máximo de 270 na soma geral. O mel da Meldoyá alcançou 230 pontos, com vantagem sobre o segundo colocado.

Caio é um dos fundadores da marca baiana
A história da Meldoyá começou em 2018, a partir do desejo de Caio de se reconectar com as origens da família após passar 13 meses fora do Brasil. O ponto de partida foram os sítios da família em Jaguaripe. As primeiras colmeias chegaram em 2019 e, durante a pandemia, o hobby se transformou em estudo e, posteriormente, em negócio. A empresa nasceu em 2021, teve a primeira safra em 2022 e iniciou a comercialização no ano seguinte.
Hoje, a Meldoyá cria quatro espécies da Mata Atlântica, uruçu nordestina, jataí, moça branca e mirim droryana, e também compra méis de sete famílias produtoras da Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Amazônia, incluindo produtores do Pará.
“A gente faz esse trabalho de auxiliar o acesso ao mercado”, diz Caio ao Muito Gourmet. “O produtor que está lá na ponta da cadeia, no interior, precisa escoar o mel dele”. Para ele, a conquista ultrapassa os limites do próprio meliponário. “É um reconhecimento do potencial da Bahia como estado produtor de mel de abelha sem ferrão”.
O mel produzido em Jaguaripe também vem ganhando espaço nos menus de restaurantes e cafeterias. Em Salvador, aparece no menu degustação de primavera do Manga, dos chefs Kafe Bassi e Dante Bassi. Na cafeteria Garimpo do Barista, o ingrediente é utilizado em um toast e em uma caipirinha preparada com mel de abelha nativa. A lista inclui ainda o Origem, dos chefs Fabrício e Lisiane, o Boia, do chef Kaywa Hilton, e o Andina Cozinha Latina. Na Chapada Diamantina, a chef Flávia, do Deguste o Brasil, no Vale do Capão, utilizou mel de uruçu de Jaguaripe no prato criado para o Tempero Bahia 2026.