O Terreiro do Gantois, em Salvador, prestou homenagem nesta segunda-feira (10) a Mãe Menininha do Gantois, que completa 40 anos de morte na próxima quinta-feira (13). Considerada uma das principais lideranças do candomblé no Brasil, Maria Escolástica da Conceição Nazaré morreu em 13 de agosto de 1986, aos 92 anos.
Na publicação, o terreiro ressaltou a trajetória da ialorixá e a importância da linhagem de mulheres negras responsáveis pela preservação de conhecimentos e tradições do candomblé. O texto também relembrou a história do próprio Gantois, fundado em 1849 por Maria Júlia da Conceição Nazaré, bisavó de Mãe Menininha.
Mãe Menininha foi iniciada para Oxum ainda aos seis meses de idade e permaneceu à frente do Gantois por mais de seis décadas. Durante sua trajetória, tornou-se uma referência religiosa e cultural para além dos limites do terreiro.
O terreiro disse ainda que a atuação de Mãe Menininha ocorreu em um período marcado pela perseguição às religiões de matriz africana. Segundo a homenagem, ela manteve diálogo com intelectuais, jornalistas, artistas e pesquisadores, sem deixar de priorizar a preservação dos fundamentos e da tradição do Gantois.
“Mãe Menininha conduziu uma tradição ancestral diante das transformações de seu tempo sem permitir que a abertura ao mundo significasse perda de identidade”, escreveu o terreiro na publicação.
A homenagem também destacou a permanência do legado da ialorixá na comunidade do Gantois e na sucessão das mulheres que assumiram a liderança da casa após sua morte.
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Morte e legado
Mãe Menininha morreu em Salvador, aos 92 anos. O falecimento provocou forte comoção e foi marcado por um cortejo que percorreu as ruas da cidade durante cerca de três horas até o sepultamento.
Quatro décadas depois, o legado da ialorixá também permanece preservado por meio do Memorial Mãe Menininha do Gantois, inaugurado em 1992 e integrado ao espaço sagrado do terreiro. O local reúne mais de 500 peças relacionadas à história, aos objetos rituais e à vida da religiosa.
Neste ano, marcado pelos 40 anos da morte de Mãe Menininha, o memorial passou a integrar o Guia de Museus Baianos, plataforma digital que reúne equipamentos culturais do estado e oferece recursos como visitas virtuais e audioguias.
O memorial também passou a ser reconhecido como Ponto de Memória, iniciativa voltada à preservação e divulgação do patrimônio afro-brasileiro.
Segundo a iyákekêrê Ângela Ferreira, a presença do memorial na plataforma digital amplia o acesso ao legado da ialorixá. “A inclusão no Guia permite que gerações conectadas acessem conteúdos fidedignos e compreendam a importância de Mãe Menininha na luta pela valorização da nossa identidade e diversidade”, afirmou.