A Europa vive um dos verões mais extremos de sua história. Junho e julho de 2026 foram os meses mais quentes já registrados no oeste do continente, segundo dados do Copernicus, serviço de monitoramento climático da União Europeia.
A temperatura média no período chegou a 21,62°C, ficando 2,79°C acima da média histórica. O índice supera o recorde anterior, registrado em 2022. O calor intenso vem acompanhado de ondas de calor, incêndios florestais e uma forte estiagem, que já provoca impactos em diferentes países europeus.
A combinação de altas temperaturas e solo seco criou condições favoráveis para a propagação das chamas. Mais de 498 mil hectares foram queimados neste verão, principalmente em Espanha, França e Itália, segundo um levantamento da União Europeia divulgado em agosto. A fumaça também se tornou um problema. Com incêndios maiores, partículas podem alcançar regiões distantes dos focos e comprometer a qualidade do ar.
A seca prolongada também reduziu o volume de importantes rios europeus, como Sena, Reno e Danúbio. O problema já afeta o setor energético. Hungria e Romênia precisaram interromper temporariamente o funcionamento de reatores nucleares refrigerados pelas águas do Danúbio, que atingiu níveis excepcionalmente baixos.
O calor não ficou restrito à terra firme. Julho registrou a maior temperatura já observada nos oceanos não polares, com marcas recordes no Atlântico e no Mediterrâneo Ocidental.
Segundo especialistas do Copernicus, o solo extremamente seco ajuda a intensificar o calor. Com menos umidade, a superfície perde parte de sua capacidade natural de resfriamento, favorecendo temperaturas ainda mais elevadas.
A previsão indica que novos episódios de calor extremo podem atingir a Europa nesta semana, enquanto o continente ainda enfrenta os efeitos da seca e dos incêndios.