Chuva de quatro anos cai em quatro dias no deserto mais seco do mundo: ‘Episódio extremo’

Chuva de quatro anos cai em quatro dias no deserto mais seco do mundo: ‘Episódio extremo’

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Gabriel Moura

Reprodução

Publicado em 24/07/2026 às 17:48 / Leia em 2 minutos

A região de Atacama, no norte do Chile, enfrenta um episódio de chuva considerado extremo após registrar, em apenas quatro dias, um volume de precipitação equivalente ao esperado para cerca de quatro anos. Em alguns pontos, o acumulado ultrapassou 250 milímetros, superando os índices observados durante os eventos de 2015 e 2017, quando as fortes chuvas provocaram enchentes e corridas de lama.

Diante da situação, o governo chileno decretou Estado de Exceção por Catástrofe na província de Huasco, uma das áreas mais afetadas pelo sistema frontal que atinge grande parte do país. Segundo autoridades e veículos locais, Atacama está entre as regiões que concentram os maiores impactos das condições meteorológicas.

O meteorologista Jaime Leyton explicou ao Diario de Atacama que o volume registrado foge completamente do comportamento climático da região, onde está localizado o deserto mais árido do planeta. “Esta tempestade ainda não acabou e há lugares que já ultrapassaram os 250 milímetros em quatro dias. Uma estimativa da quantidade de precipitação aponta que 240 milímetros de chuva equivalem, praticamente, ao total de quatro anos de chuva na região, falando em termos de média”, afirmou. De acordo com o especialista, nas áreas da pré-cordilheira e dos vales o acumulado pode chegar ao dobro ou até quatro vezes a média anual. “Por isso, este evento foi categorizado como um evento extremo, completamente anômalo em relação às estatísticas disponíveis”, acrescentou.

Além do elevado volume de chuva, especialistas alertam para o aumento do risco de enxurradas, deslizamentos e corridas de lama. Segundo Leyton, esse cenário ocorre quando o solo atinge seu limite de absorção de água. “Primeiro é preciso preencher a capacidade de retenção de água do solo e, só depois que essa capacidade é atingida, começa a se gerar o escoamento”, explicou. O acumulado atual já supera os níveis registrados em 2015 e 2017, episódios que também causaram graves impactos na região.

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