O jornalista e escritor pernambucano Raimundo Carrero morreu nesta terça-feira (16), aos 78 anos, em Recife. Autor de mais de 20 livros e um dos principais representantes do Movimento Armorial, ele deixa um legado marcante para a literatura e a cultura brasileira.
Natural de Salgueiro, no Sertão de Pernambuco, Carrero começou a escrever ainda na adolescência e construiu uma trajetória reconhecida nacionalmente. Em 2000, conquistou o Prêmio Jabuti com o romance “As Sóbrias Ruínas da Alma”, uma das principais obras de sua carreira.
Além da produção literária, atuou durante 25 anos no jornal Diário de Pernambuco, onde trabalhou como crítico literário, editor e colunista. Nos anos 1970, participou da popularização da lenda urbana da “perna cabeluda”, uma das histórias mais conhecidas do imaginário recifense.
Seu primeiro livro, “A História de Bernarda Soledade: a Tigre do Sertão”, foi lançado em 1975. Ao longo da carreira, publicou romances, contos e ensaios que exploram o universo nordestino e temas ligados à condição humana.
Carrero também recebeu outras importantes premiações, como o Prêmio Oswald de Andrade de Revelação do Ano, por “Viagem no Ventre da Baleia”; o Prêmio José Condé, por “Sombra Severa”; e o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras em 1996, por “Somos Pedras que se Consomem”.
Fora da literatura, ocupou cargos na área de gestão cultural em Pernambuco, incluindo a presidência da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). Desde 2005, integrava a Academia Pernambucana de Letras.
Em nota, o Ministério da Cultura lamentou a morte do escritor e destacou sua contribuição para a cultura nacional, solidarizando-se com familiares, amigos e colegas.