Goleiro destaque de Cabo Verde, Vozinha é fã de Ivete Sangalo; conheça detalhes

Goleiro destaque de Cabo Verde, Vozinha é fã de Ivete Sangalo; conheça detalhes

Redação Alô Alô Bahia

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Redação Alô Alô Bahia

Patrick Smith - FIFA

Publicado em 15/06/2026 às 15:22 / Leia em 5 minutos

A atuação decisiva no empate sem gols entre Cabo Verde e Espanha colocou Vozinha entre os personagens mais comentados da primeira rodada da Copa do Mundo de 2026. Aos 40 anos, o goleiro foi fundamental para garantir o primeiro ponto da seleção cabo-verdiana na história do torneio e alcançou o maior marco de uma carreira construída longe dos grandes centros do futebol.

Por trás das defesas que frustraram uma das favoritas ao título existe uma trajetória marcada por superação, influência brasileira e uma estreia tardia no futebol profissional.

Nome nasceu de uma homenagem ao futebol brasileiro

Vozinha nasceu em 3 de junho de 1986, na ilha de São Vicente, em Cabo Verde. Seu nome de batismo, Josimar José Évora Dias, surgiu por influência direta da Copa do Mundo daquele ano.

Militar e apaixonado por futebol, o pai do goleiro pretendia homenagear o atacante argentino Jorge Valdano.

“Meu pai queria me chamar de Valdano, por causa do atacante argentino Jorge Valdano, do Real Madrid. Mas as autoridades não aceitaram”, contou em entrevista à ESPN.

Sem conseguir registrar o nome desejado, a família optou por homenagear outro jogador que se destacou naquele Mundial: Josimar Higino Pereira.

“O meu pai e a minha avó torciam pelo Brasil. E meu pai gostava muito do Josimar”, afirmou.

Como surgiu o apelido Vozinha

Apesar do nome inspirado em um atleta brasileiro, foi o apelido que acabou tornando o goleiro conhecido internacionalmente.

Criado pelos avós, Maria Senhorinha dos Santos e Manuel da Luz Moraes, Josimar passou a infância jogando futebol com garotos mais velhos na rua onde morava.

Segundo ele, o temperamento competitivo e as constantes reclamações após as partidas renderam a alcunha.

“Cresci numa rua também que não havia rapazes da minha idade, eu tinha que jogar sempre com os mais velhos e levava muita porrada. Era um pouco rebelde, não gostava de levar e não dar o troco, sempre arranjava forma de dar o troco para não ir para casa com a pancada ou com a porrada que eles me davam”, explicou.

“Muitas vezes ia com a cara trancada, chateada, cheia de raiva e falavam que eu ia fazer sempre queixas aos meus avós e começaram a me chamar de ‘Vozinha’. Ficava mais furioso por isso, mas com o tempo esse nome começou a ganhar outra dimensão.”

Com os anos, o apelido deixou de ser uma provocação e passou a representar a forte ligação com os avós responsáveis por sua criação.

Profissional apenas aos 25 anos

Ao contrário da maioria dos jogadores que disputam uma Copa do Mundo, Vozinha demorou para ingressar no futebol profissional.

Ele iniciou a trajetória em equipes de Cabo Verde, onde a modalidade possui caráter semiprofissional, e só conseguiu a primeira oportunidade profissional aos 25 anos, quando assinou com o Progresso do Sambizanga.

“Não tive base ou aquela escola para me ensinar a ser goleiro e as técnicas. Foi sempre na minha força de vontade, no trabalhar, no saber ouvir e no saber aprender, que cheguei onde cheguei. Em 2012, consegui jogar o meu primeiro ano profissional em Angola”, relatou.

A estreia pelo clube angolano aconteceu diante de uma equipe que contava com Rivaldo, então jogador do Kabuscorp.

Durante a passagem por Angola, também participou de períodos de preparação no Brasil e enfrentou Cruzeiro e Atlético-MG em jogos-treino.

Passagem por cinco países até chegar à seleção

Depois da experiência africana, Vozinha seguiu para a Europa.

Ao longo da carreira, passou por Zimbru Chișinău, Gil Vicente FC, AEL Limassol, onde permaneceu por cinco temporadas, e AS Trenčín.

Nas últimas temporadas, defendeu o CD Chaves.

“Era o momento de regressar a um país onde falam a mesma língua. Um lugar onde a comida e a cultura são um pouco idênticas à nossa. E um país mais perto de casa”, explicou.

Capitão de uma classificação histórica

Integrante da seleção cabo-verdiana desde 2012, Vozinha participou de quatro edições da Copa Africana de Nações antes de alcançar o maior objetivo da carreira.

Capitão da equipe durante as Eliminatórias, ele esteve entre os líderes da campanha que levou Cabo Verde pela primeira vez a uma Copa do Mundo.

“Acho que foi o momento mais marcante das nossas vidas. E também do povo cabo-verdiano, porque foi um momento único, um sonho de várias gerações, que alguma vez jogaram ou começaram o futebol por algum lado. Sempre acreditámos que essa era a nossa vez”, afirmou.

O goleiro também destacou o impacto da classificação para a população do país.

“Ver as pessoas chorando de alegria, um choro de orgulho, de sentimento, de pertencimento ao país. A seleção uniu o povo.”

Novelas, música e ídolos brasileiros

A ligação de Vozinha com o Brasil vai além do nome. O goleiro revelou que cresceu consumindo novelas brasileiras e acompanhando artistas do país.

“Desde sempre víamos muitas novelas brasileiras depois dos telejornais. Lembro muito de Xica da Silva, Malhação e Rei do Gado.”

Na música, citou nomes como Ivete Sangalo, Seu Jorge, Cidade Negra, Grupo Revelação e Roberto Carlos.

Entre os ídolos do futebol, destacou Rogério Ceni, além de Ronaldo Nazário e Ronaldinho Gaúcho.

Aos 40 anos, Vozinha chegou à Copa do Mundo pela primeira vez e teve uma estreia à altura da ocasião. Caso Cabo Verde avance às oitavas de final, a seleção voltará a jogar no México, o mesmo país onde o jogador que inspirou seu nome ganhou projeção mundial quatro décadas atrás.

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