A partida entre Coreia do Sul e República Tcheca pela Copa do Mundo de 2026 terminou com vitória sul-coreana por 2 a 1, mas o resultado não foi o único assunto que chamou atenção. Durante a transmissão do confronto em Guadalajara, imagens das arquibancadas mostraram diversos setores com cadeiras vazias, cenário que contrastou com os números oficiais divulgados pela Fifa.
Segundo a entidade, o jogo registrou público de 44.985 pessoas em um estádio com capacidade aproximada para 45.600 espectadores. Na prática, isso indicaria uma ocupação próxima da lotação máxima, com menos de mil lugares disponíveis.
As imagens vistas durante a partida, porém, levaram torcedores e observadores a questionarem a aparente discrepância entre a ocupação visual do estádio e os dados divulgados pela organização.
Ingressos vendidos não significam cadeiras ocupadas
A explicação pode estar na metodologia utilizada para a divulgação dos números oficiais.
Tradicionalmente, a Fifa e os organizadores de grandes competições contabilizam ingressos vendidos, distribuídos ou registrados, e não necessariamente o número de pessoas que efetivamente comparecem ao estádio.
Para o especialista em comportamento do consumidor Paulo Crepaldi, essa diferença ajuda a explicar por que a percepção do público pode divergir dos dados oficiais.
“Essa diferença é importante: uma coisa é ingresso vendido, distribuído ou registrado. Outra é cadeira efetivamente ocupada diante da câmera. Para a percepção pública, a imagem vence a planilha”, afirmou em entrevista ao Uol.
Modelo de distribuição pode influenciar ocupação
De acordo com Crepaldi, um dos fatores que mais contribuem para esse tipo de situação é a forma como os ingressos são distribuídos.
Segundo ele, bilhetes adquiridos por torcedores que acabam desistindo da viagem, pacotes corporativos, hospedagem vinculada a ingressos e operações de revenda podem resultar em setores parcialmente vazios, mesmo quando a venda de entradas é elevada.
“Ingressos comprados por torcedores que depois não conseguem ou não querem ir, hospedagem, pacotes corporativos e revenda podem gerar assentos vazios, mesmo quando o número oficial parece alto”, explicou.
Outro elemento apontado como possível influência foi o preço dos ingressos.
Reportagem do The Athletic informou que entradas para determinados setores custavam entre US$ 400 e US$ 500. Já áreas de hospitalidade ultrapassavam US$ 5 mil por pessoa.
Além disso, ainda havia bilhetes disponíveis para compra na véspera da partida.
Fifa destacou demanda recorde antes do torneio
Meses antes do início da Copa do Mundo, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que a procura por ingressos havia alcançado níveis sem precedentes.
“Até hoje, vendemos mais de seis milhões de ingressos. A demanda foi inédita, por uma margem de 10 vezes ou mais”, declarou em uma das apresentações relacionadas ao torneio.
Em outro momento, Infantino chegou a afirmar que todas as partidas estavam esgotadas, embora posteriormente a entidade tenha recuado dessa declaração.
Outro aspecto citado por observadores do mercado é a retenção de parte dos ingressos para partidas de maior procura, estratégia que pode influenciar a percepção de disponibilidade ao longo da competição.
Como foi a vitória da Coreia do Sul
Dentro de campo, a Coreia do Sul conquistou sua primeira vitória no Mundial ao derrotar a República Tcheca por 2 a 1.
Os tchecos abriram o placar com Ladislav Krejci, mas a seleção asiática reagiu ainda durante a partida. Hwang In-beom marcou o gol de empate antes de Oh Hyeon-Gyu completar a virada.
Apesar do resultado positivo, Son Heung-min não teve uma de suas melhores atuações. O atacante desperdiçou algumas das principais oportunidades da equipe no primeiro tempo.
Com a vitória, a Coreia do Sul chegou aos mesmos três pontos do México no Grupo A e se manteve na disputa pelas primeiras posições da chave.