A cineasta baiana Dandara Ferreira divulgou o cartaz oficial de “Anatomia do Caos”, documentário político que investiga as omissões do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19 a partir dos trabalhos da CPI da Covid, no Senado Federal. O longa estreia nos cinemas em 2 de julho, com distribuição da Descoloniza Filmes, e será acompanhado por um circuito de exibições seguido de debates em diversas capitais brasileiras.
Após estrear na ficção com a cinebiografia “Meu Nome É Gal”, protagonizada por Sophie Charlotte, Dandara retorna às telas com um filme que reúne bastidores inéditos da CPI, entrevistas com parlamentares, documentos e investigações sobre a condução da crise sanitária no país. O documentário relembra decisões e omissões que marcaram o período da pandemia, que resultou na morte de mais de 700 mil brasileiros.

Dandara Ferreira | Foto: Roberto Stuckert
Segundo a produção, o filme traça um panorama nacional sobre como a falta de respostas adequadas diante da emergência sanitária impactou o país e expôs falhas estruturais na gestão da crise.
A ideia do projeto surgiu em abril de 2021, quando a diretora decidiu acompanhar presencialmente os trabalhos da comissão em Brasília. “O que me movia naquele momento era a percepção de que o país atravessava algo maior do que uma crise sanitária. Havia uma disputa brutal em torno da própria realidade”, afirma Dandara Ferreira.

Filme será lançado no dia 2 de julho
No documentário, a CPI da Pandemia é apresentada como um espaço simbólico das tensões políticas e sociais vividas pelo Brasil durante a crise sanitária. “Não se tratava apenas de negligência. Havia uma construção narrativa em curso, uma política da desinformação que transformava a morte em estatística e a dor coletiva em deboche”, pontua a cineasta.
“Anatomia do Caos” também aborda a ausência de responsabilização pelos acontecimentos do período. Para a diretora, o longa não busca apenas revisitar o passado, mas provocar reflexões sobre memória e justiça. “Esse filme nasce da necessidade pessoal de registrar esse período e da certeza de que algumas imagens precisam continuar abertas, porque elas ainda nos olham de volta”, concluiu.
Além da estreia nacional, o lançamento contará com sessões especiais acompanhadas de debates em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Recife, Curitiba, Salvador, Brasília e Fortaleza.