O centenário de nascimento do geógrafo Milton Santos é celebrado neste 3 de maio, com destaque para a atualidade de suas teorias sobre desigualdade urbana no Brasil e no mundo. Referência na geografia, o intelectual baiano morreu em 2001, aos 75 anos, mas segue influenciando estudos acadêmicos e análises socioeconômicas.
Uma de suas principais contribuições é a teoria dos dois circuitos da economia urbana, que divide as cidades entre o circuito superior — concentrado em grandes empresas e com maior acesso a tecnologia e capital — e o circuito inferior, formado por pequenos comércios e serviços adaptados à realidade das populações de baixa renda.
A leitura segue sendo aplicada em pesquisas atuais no Brasil e no exterior, evidenciando como dinâmicas de consumo e acesso a serviços refletem desigualdades estruturais. Para o geógrafo, o espaço urbano é resultado direto de decisões políticas e econômicas, e não apenas um cenário neutro.
Nascido em Brotas de Macaúbas, na Bahia, Milton Santos construiu carreira internacional, com passagem por universidades na Europa, África e América Latina, além de atuação em instituições como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Ao longo da trajetória, também enfrentou o racismo estrutural na academia e consolidou uma obra que articula geografia, política e economia. Entre seus conceitos, destaca-se o “meio técnico-científico-informacional”, que analisa o impacto da tecnologia e da infraestrutura na organização dos territórios.
Para marcar os 100 anos, instituições promovem eventos em diferentes cidades, com seminários, debates e atividades voltadas à discussão do legado do geógrafo e à aplicação de suas ideias no cenário contemporâneo.