Justiça proíbe o abate de jumentos na Bahia; animais correm risco de extinção

Justiça proíbe o abate de jumentos na Bahia; animais correm risco de extinção

Redação Alô Alô Bahia

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Chiara Albano/FNDJ.

Publicado em 14/04/2026 às 15:06 / Leia em 3 minutos

A Justiça Federal determinou a suspensão do abate de jumentos na Bahia após analisar uma ação civil pública apresentada por entidades de proteção animal. A decisão foi assinada na segunda-feira (13) pela juíza Arali Maciel Duarte, que apontou a existência de maus-tratos e falhas no manejo dos animais no estado.

Atualmente, três frigoríficos tinham autorização para realizar o abate na Bahia, localizados nos municípios de Amargosa, Itapetinga e Simões Filho. As organizações responsáveis pela ação também alertaram para o risco de redução significativa da população desses animais.

Na sentença, a magistrada estabeleceu que a União, o governo estadual e a Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab) devem adotar medidas para impedir não apenas o abate, mas também a captura, comercialização e confinamento de jumentos com essa finalidade. Os animais encontrados em abatedouros, fazendas ou frigoríficos deverão ser encaminhados a santuários.

O abate desses animais no Brasil passou a ocorrer em 2016, após um acordo firmado entre o governo federal e a China. No país asiático, a pele é utilizada na produção do ejiao, substância associada a benefícios como combate ao envelhecimento, aumento da libido feminina e auxílio em problemas do sistema reprodutor.

A ação judicial foi movida por organizações como a União Defensora dos Animais, a Rede de Mobilização pela Causa Animal (REMCA), o Fórum Nacional de Proteção e Defesa Animal e a SOS Animais de Rua. As entidades relataram que os jumentos eram capturados, transportados e abatidos em condições inadequadas, muitas vezes sem acesso a água ou alimento e submetidos a situações de violência.

Ao fundamentar a decisão, a juíza destacou que, embora o abate seja permitido pela legislação, a Constituição Federal veda práticas que impliquem crueldade contra animais ou coloquem espécies em risco. Segundo ela, provas reunidas no processo, como vídeos, reportagens e denúncias, demonstram o descumprimento das normas.

“Foi comprovado, por meio dos relatórios e laudos técnicos acima citados e das fotografias e arquivos de vídeo juntados aos autos, o risco de extinção da espécie, bem como que os jumentos estão sendo submetidos à crueldade e a maus-tratos, o que justifica a intervenção do Poder Judiciário”, afirmou.

A decisão também menciona problemas no transporte dos animais, incluindo viagens longas, além de riscos sanitários relacionados à possível disseminação de doenças. Há registros de jumentos mortos ou em estado agonizante antes mesmo de chegarem aos locais de abate.

Apesar de o pedido inicial das entidades solicitar a proibição em todo o país, a magistrada limitou os efeitos da medida à Bahia. Segundo a sentença, não há comprovação de irregularidades semelhantes em outros estados que justifique a ampliação da decisão.

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