Sistema cabruca pode levar o Brasil à autossuficiência no cacau sustentável

Um estudo realizado por Cocoa Action Brasil, Instituto Floresta Viva (IFV) e pela Brown University, de Rhode Island (EUA), apontou que 78% das propriedades produtoras de cacau no litoral sul da Bahia possuem um sistema de produção considerado ambientalmente mais sustentável: o cabruca. 

A pesquisa foi realizada em 26 municípios da região, que vai da Península de Maraú até Canavieiras e abraça uma àrea de 15 mil quilômetros quadrados, onde existem 16.589 propriedades rurais que se dedicam à produção do cacau (55% têm área menor que 20 hectares, 79% são propriedades de até 50 hectares e 18,6% são áreas grandes, entre 50 hectares e 300 hectares. O tamanho médio das lavouras é de 12 hectares por propriedade).

Por quatro anos, os pesquisadores acompanharam o dia a dia de 3 mil produtores rurais da região, dos quais 2.443 são pequenos agricultores que cultivam cacau em áreas inferiores a 20 hectares, sem acesso à assistência técnica e ao crédito rural, que frequentaram a escola por sete anos, em média, estão na faixa dos 62 anos de idade, trabalham com a ajuda de suas famílias e vendem sua produção a armazéns da região ou a atravessadores.

De acordo com o coordenador do Cocoa Action Brasil, Pedro Ronca, o resultado da pesquisa será a base para a elaboração de um plano de fomento à cadeia do cacau, que deve começar com assistência técnica e investimentos na região. “Identificar quem são e onde estão esses produtores foi um primeiro passo para levarmos o básico, que é assistência técnica e dinheiro”, afirmou. 

O pesquisador Rui Rocha, do Instituto Floresta Viva (IFV), um dos coordenadores do estudo, explica que os dados revelam aspectos importantes sobre o setor cacaueiro. “Não somente os desafios, mas também, e principalmente, os caminhos para buscarmos soluções”, afirmou. 

O sistema cabruca utiliza o controle biológico correto e o manejo integrado de pragas (MIP) para manter o equilíbrio ambiental. Com isso, a lavoura não precisa de nenhum tipo de defensivo químico ou elemento externo. Um dos maiores especialistas em produção sustentável do mundo, Ernst Göstch, acredita que esse jeito natural de produzir cacau coloca os pequenos produtores em uma situação que, futuramente, e se houver apoio dos órgãos governamentais e privados, com estratégias específicas, em vantagem em relação aos demais produtores. “É o jeito mais sustentável de produzir cacau que existe no planeta”, afirma.

O relatório foi financiado pelas empresas e entidades participantes do Cocoa Action Brasil (Barry Callebaut, Cargill, Dengo, Mars, Mondelez, Nestlé, Olam, RainforestAlliance e Instituto Arapyaú) e teve o apoio institucional da Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC) e da Associação Brasileira das Indústrias de Chocolates, Amendoim e Balas (Abicab).

Fonte: Globo Rural

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