29 Jan 2021

Porto da Barra recebe 'YèYé Omó Ejá', exposição de quatro fotógrafas para saudar Iemanjá

Porto da Barra recebe 'YèYé Omó Ejá', exposição de quatro fotógrafas para saudar Iemanjá
Mar e Yemanjá, água e divindade em unicidade. (Foto: Nayara Rangel)

Dois de fevereiro é dia de festa no mar em Salvador. Momento de levar mimos à rainha das águas salgadas, Iemanjá. Para homenagear a divindade durante o seu mês, as fotógrafas Ana Kruschewsky, Marta Suzi, Nayara Rangel e Vânia Viana se uniram com o objetivo de convidar o público para um mergulho nos azuis do mar e proporcionar um pouco da emoção tão marcante nos festejos à divindade. 

A exposição “YèYé Omó Ejá”, que significa “mãe cujos filhos são peixes”, entra em cartaz a partir de 1º de fevereiro a 30 de março, na Galeria Fragmentos do Espaço Pierre Verger, em frente ao mar do Porto da Barra. O espaço é um dos apoiadores da exposição, juntamente com a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo.

Sagrado-feminino-Foto-Marta-Suzi
Sagrado feminino (Foto: Marta Suzi)

A mostra reúne 24 imagens realizadas em diferentes anos dos festejos à Iemanjá (ou Yemanjá), fragmentos da devoção e beleza ao orixá que é um dos mais cultuados nas religiões de matrizes africanas no Brasil. 

“As fotografias buscam traduzir o sagrado feminino, a delicadeza do ofertar, a entrega e a crença na ancestralidade africana iorubá, tão viva na Bahia. O trabalho possui uma riqueza imaterial, pois desperta emoções e a curiosidade em torno da origem desse sincretismo, a razão da fé que atravessa mares e séculos”, comenta a fotógrafa Marta Suzi. 

Um-toque-de-f-Foto-V-nia-Viana
Um toque de fé (Foto: Vânia Viana)

Neste ano, em especial, em que não será possível lotar a praia para saudar Yemanjá, a exposição vem para preencher um pouco desse vazio. "O povo baiano tem uma forte conexão com Yemanjá. É muito bonita a maneira como se expressa a relação com esta mãe. A força imagética dos detalhes onde a Rainha do Mar se revela é como um imã para o olhar do fotógrafo. Colares, pulseiras, oferendas dotadas de uma beleza ímpar se diluem num mar de gente, cores e muita fé", afirma Vânia Viana.

Os quatro diferentes olhares, registrados de forma poética, para além de captar os elementos que compõem o famoso ritual de uma das festas populares mais tradicionais da Bahia, têm uma grande importância como registro da memória de um povo, na preservação da sua cultura, crenças e tradições. “Os sentimentos de presenciar a devoção à Yemanjá, como fotógrafa, se misturam com o que pretendemos registrar, e transformar isso tudo em imagens que despertem esse sentido em quem vê, é desafiador”, conta a fotógrafa Nayara Rangel.

C-u-D-mar-Foto-Ana-Ana-Kruschewsky
Céu D’mar (Foto: Ana Kruschewsky) 

A mistura de linguagens em busca de se comunicar com o sagrado foi o que mais despertou a atenção da fotógrafa Ana Kruschewsky. “A fé, transe, música, danças e entrega, proporcionam um verdadeiro espetáculo de emoções para quem participa desse grande festejo. O nosso maior desafio é captar toda emoção que vivenciamos para que, através das nossas imagens, as pessoas consigam sentir o que se esconde por trás do visível e possam ser remetidas à dimensão da história e da cultura. Por se tratar de uma exposição de rua, toda a cidade poderá se apropriar da arte”, conclui Ana.

Fotos: Divulgação. Siga a gente no Instagram @sitealoalobahia e no Twitter @aloalo_bahia.

NOTAS RECENTES