Overtourism: destinos da Europa impõem proibições, multas e impostos para reduzir excesso de visitantes

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A Organização Mundial do Turismo acredita que, até o final desta década, o fluxo de turistas internacionais supere a marca de 2 bilhões de pessoas. Com esse número recorde de pessoas literalmente batendo às suas portas, governos locais e nacionais de famosos destinos europeus estão em busca de um equilíbrio entre os recursos trazidos com essa alta procura e a preservação de seus paraísos.
 
Com boom recente, uma palavra se tornou comum no vocabulário de quem lida com turismo, principalmente em locais disputados: “overtourism”, o excesso de turistas, tem atrapalhado a vida dos locais e obrigado os governos a criarem já medidas que desencorajem e até mesmo punam as multidões de visitantes.
 
Paraísos na Europa, muitas vezes lugarejos ou pequenas cidades sem infraestrutura preparada para receber visitantes em excesso, são os que mais sofrem com o barulho, o lixo, o trânsito e outros transtornos causados. Com isso, as campanhas que convidavam esse público hoje trazem slogans nem um pouco amistosos, como: “por favor, não venham”, por exemplo.
 
“O excesso de turismo já é tão agudo que destinos populares estão fazendo o impensável e tentando desencorajar ou bloquear chegadas”, publicou o The Guardian sobre o assunto. “Os lugares mais perfeitos do mundo estão sendo transformados em cenários para selfies de turistas. O overtourism na Europa está tornando os destinos no oposto do que costumavam ser”.
 
Na lista de destinos que estão sofrendo com a situação estão cidades como Amsterdã, na Holanda, que tem menos de um milhão de habitantes, mas atrai em média mais de um milhão de turistas por mês. Para conter o fluxo, os navios de cruzeiro foram proibidos de entrar em seu porto principal, entre outas medidas mais amplas, como a “campanha de desencorajamento” que proíbe fumar maconha ao ar livre no distrito da luz vermelha, por exemplo.
 
Desde 2021, os grandes cruzeiros também estão proibidos nas águas de Veneza. Por lá (em seu centro) também não é permitido comer lanches ao ar livre. Em Roma, também na Itália, taxas passaram a ser cobradas para visitar o Panteão e o acesso à Fontana di Trevi foi restringido, assim como à Escadaria Espanhola. Quem se sentar nela paga uma multa de € 250 (R$ 1.300).
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Até as selfies entraram na lista de restrições. Em Portofino, cidade litorânea da Riviera Italiana, o governo local determinou que os turistas não demorem para fazer as imagens nos pontos mais disputados. As multas chegam a € 275 (R$ 1400).
 
Na França, foi divulgado um plano “para melhor regular os fluxos turísticos e apoiar as autoridades locais que enfrentam aumentos no número de visitantes” por seu governo. O Le Monde publicou que a Alliance France Tourisme, que reúne empresas do setor, apontou para a “conscientização tardia”, afirmando que o país agora é um dos locais condenados ao “overtourism”.
 
Um dos destinos de peregrinação mais populares do mundo, Santiago de Compostela, na Galícia, também não escapou do excesso de visitantes. O governo espanhol já anunciou que pretende lançar um imposto. “Com a cidade recebendo mais de 300 mil turistas, além de peregrinos, a cada ano, as autoridades não querem mais que o destino seja um parque temático”, relatou o Schengenvisa. No mesmo país, Mallorca e Barcelona sofrem do mesmo problema.
 
Em Portugal também foram impostas várias multas, principalmente nos seus destinos turísticos no litoral. Tocar música alta, por exemplo, pode resultar em multas que variam de € 200 a € 36 mil (entre R$ 1.000 e R$ 188 mil). A lista de proibições inclui jogos de bola não autorizados, acampar fora de campings, pescar em áreas de banho e sobrevoar com aeronaves a menos de 300 metros, exceto para operações de vigilância ou resgate.
 
Na Grécia foi preciso implementar um sistema de agendamento de horários para a Acrópole como medida para gerenciar as multidões. A espera para visitar o ponto turístico em Atenas é de mais de duas horas, segundo a Associated Press. “As filas de táxis na principal estação de trem de Roma também estão enormes. E há tantos turistas concentrados na Praça de São Marcos, em Veneza, que as multidões se acumulam ao atravessar as pontes, mesmo em dias úteis”.

Além de ser um transtorno para quem recebe o público, fica claro que também não tem sido nada agradável para os visitantes.


Por Gabriela Cruz com informações da Forbes | Foto: Alex Waltner Photography_Shutterstock e Lichtwolke / Shutterstock.com
 
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