Morte do estilista Thierry Mugler abala o mundo da moda e show business; entenda

Gabriela Cruz é jornalista, ilustradora e escreve para o Alô Alô Bahia. 

Na noite deste domingo (23), uma notícia impactou o mundo da moda de forma global. A morte de Thierry Mugler, um dos grandes nomes dessa indústria nos anos 70, 80 e 90, foi anunciada por seu porta-voz, Jean-Baptiste Rougeot. "Estamos devastados em anunciar o falecimento de Manfred Thierry Mugler no domingo, 23 de janeiro de 2022. Que sua alma descanse em paz", diz a nota. Aos 73 anos, o estilista francês morreu de causas naturais e, segundo o comunicado, planejava anunciar novas colaborações esta semana.

"Thierry Mugler faz parte dessa geração de ‘criadores da moda’ dos anos 70 e 80 que revolucionaram o prêt-à-porter", comentou Ralph Toledano, presidente da Federação da Alta-Costura e da Moda da França. Mas não foi só o executivo que se pronunciou sobre a morte o criativo. A notícia de seu falecimento foi recebida com comoção por muitos nomes do show business. "Descanse em paz, Thierry Mugler", escreveu Beyoncé em seu site. Além da diva, as modelos Shirley Malmann, Bella Hadid e Carla Bruni, a jornalista Anna Dello Russo, a cantora Diana Ross, e as irmãs Kourtney e Khloé Kardashian lamentaram a morte do estilista nas redes sociais. 
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Nascido em Estrasburgo, nordeste da França, em 21 de dezembro de 1948, Thierry Mugler chegou a Paris aos 20 anos e criou sua própria marca "Café de Paris" em 1973, antes de fundar a grife "Thierry Mugler" um ano depois. Não à toa, o estilista era querido por mulheres tão disruptivas. Ele ficou conhecido por criações que celebravam as formas femininas de uma forma excêntrica que o fez ser chamado muitas vezes de surrealista e fetichista.

Mugler era também famoso pela forma como realizava seus desfiles. Foi um dos primeiros, ainda nos anos 1970, a transformar o vai-e-vem das modelos nas passarelas em shows espetaculares, nada minimalistas, que exaltavam a importância da moda para além do vestir.  "As apresentações atuais da moda são uma continuação do que Mugler inventou", afirmou Didier Grumbach, ex-presidente da marca. Seu sucesso começou nos anos de 1980 até o auge, na década de 1990, que veio com o lançamento global da fragrância "Angel".  
vestido-mugler-demi-moore-alo-alo Flertou com as estrelas da música desde sempre, vestindo David Bowie no Saturday Night Live, em 1979, além de Madonna e George Michael em suas apresentações. Foi dele também o icônico longo preto usado por Demi Moore no filme "Proposta Indecente", de 1993.

Mesmo após sua aposentadoria, em 2002, seu legado continuou sendo celebrado por divas. Lady Gaga usou um Mugler vintage no vídeo "Telephone" de 2010 e, no Grammy de 2011, saiu de um ovo com um vestido Mugler. Cardi B, Rihanna, Dua Lipa e Katy Perry vestiram roupas dos arquivos Mugler nos últimos anos. Em 2009, o estilista foi diretor artístico da “I Am... World Tour” de Beyoncé. São dele os figurinos, além de ter atuado na produção geral do show. 
beyonce-vestido-mugler-alo-alo Mais recentemente, em 2019, Kim Kardashian personificou a “estética Mugler” ao surgir no Met Gala, em Nova York, considerado principal evento de moda do mundo, com um "vestido molhado" e transparente assinado por ele. A peça, em látex e cristais, demorou oito meses para ser finalizada.
kim-kardashian-veste-mugler-alo-alo Na cidade onde construiu seu nome, atualmente, uma exposição celebra seu legado. Em cartaz em Paris está "Couturissime", no Museu de Artes Decorativas, que abriu excepcionalmente suas portas nesta segunda-feira (24), dia de folga semanal, para prestar homenagem a Mugler.

Os últimos dois anos têm sido de perdas para o mundo da muda. Vários estilistas renomados saíram de cena, encerrando ciclos criativos até mesmo de décadas, como Kenzo, que morreu de Covid-19 em outubro de 2020; Albert Albaz em abril de 2021, Pierre Cardin em 2020, e Virgil Abloh, da Louis Vuitton, que foi vítima de um câncer em novembro de 2021, aos 41 anos.

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