Mercado nacional de vinhos cresce, mas sofre com falta de garrafas

José Mion é jornalista, assessor de imprensa, apaixonado por Gastronomia e escreve para o Alô Alô Bahia.

O "reconhecimento da qualidade do produto brasileiro" é um dos principais motivos pelo salto que as exportações de vinhos e espumantes nacionais deram em 2021. "O espumante brasileiro está se consolidando lá fora, com reconhecimento de qualidade", diz Maurício Salton, presidente da vinícola Salton. Entre janeiro e setembro de 2021, o país vendeu 690,4 mil caixas de nove litros de vinhos e espumantes, um aumento de 62% em relação ao mesmo período em 2020. Os dados são da Ideal Consulting, empresa de auditoria de importação e inteligência de mercado.
 
Na Salton, por exemplo, a meta de exportação foi atingida já em novembro, superando os R$ 14 milhões que a empresa tinha como objetivo. A expectativa é fechar 2021 com R$ 16,5 milhões exportados, um aumento de 50% em comparação a 2020. Para Maurício, a cotação alta do dólar, neste caso, ajuda, porque o importador compra mais produtos brasileiros fazendo um investimento menor.
 
O mercado interno também cresceu, com uma alta de 2% entre outubro de 2020 e setembro de 2021, se comparado com o mesmo período de 2019 e 2020. Foram 492,5 milhões de litros comercializados, com vinhos e espumantes rosé como queridinhos do consumidor. Na cooperativa Vinícola Garibaldi, por exemplo, 50% das vendas é de espumantes rosé.
 
Segundo Rafael Conceição, gerente de marketing do Consevitis-RS (Conselho de Planejamento e Gestão da Aplicação de Recursos Financeiros para Desenvolvimento da Vitivinicultura do Rio Grande do Sul), esse tipo de bebida "entrou na moda" por ser "despretensiosa, mais leve e divertida". "Estamos tentando incentivar as pessoas a trazerem o vinho para outros momentos que não são só quando esfria ou em um jantar romântico. Queremos mostrar que o vinho pode estar no cotidiano, em um churrasco, na beira da praia", reforça.
 
Celebrados mundialmente, os espumantes nacionais têm seguido esse caminho e estão cada vez mais presentes nos brindes do consumidor. A Garibaldi, em 2020, vendeu 12% a mais do que em 2019, e para 2021, a previsão é de alta de 30% nas vendas. Dos 80 itens da vinícola, os espumantes respondem por 40% do faturamento, 70% deles do tipo brut.
 
“Acho que o mais importante foi a entrada de novos consumidores no mercado. Não perdemos isso em 2021 e temos a expectativa de crescer mais”, celebra Alexandre Miolo, diretor comercial da vinícola Miolo, que acredita que os consumidores que já bebiam vinho passaram a conhecer melhor os rótulos nacionais, o que também impulsionou as vendas.
 
Mas, nem tudo são flores! Os números de vinícolas como a Aurora, que viu o volume comercializado crescer 26% em 2020 na comparação com o ano anterior, só não são melhores pela falta de um insumo básico: a garrafa. “São entre oito e dez milhões de litros de vinhos, sucos e espumantes que não chegarão ao mercado por causa disso”, revela Hermínio Ficagna, da Aurora.
 
Como o cenário deve persistir até 2023, as empresas estão pensando em alternativas, como as bebidas em latas. "O consumidor (de vinho) ainda não assimilou bem o uso da lata. É algo muito incipiente. Mas estamos com outros projetos. Não adianta ficar esperando [o fornecimento de garrafas voltar ao normal]", afirma, em entrevista ao UOL Economia.
 
A desorganização das cadeias produtivas ao redor do mundo no começo da pandemia é um dos motivos da situação atual, que fez cair a fabricação de insumos, aumentando a demanda por embalagens de vidro. O Brasil tem um único produtor de garrafas, o que também deixa os vitivinicultores sem opção. Lideranças do setor já se organizam para tentar atrair uma fábrica de garrafas para a região da Serra Gaúcha, mas nenhum contrato foi assinado até o momento.

Fotos: Reprodução. Siga o insta @sitealoalobahia.

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