Inflação? Marcas de luxo aumentam preços dos produtos em todo o mundo

Gabriela Cruz é jornalista, ilustradora e escreve para o Alô Alô Bahia. 

Chanel, Hermès, Louis Vuitton, Saint Laurent, Balenciaga, Gucci... não importa a marca nem as holdings às quais pertencem. Todas aumentaram os preços dos seus produtos alegando a necessidade de atender aos custos cada vez maiores com transporte e produção, além do aumento da inflação em nível mundial.

O que vem chamando a atenção dos analistas do mercado de luxo é robustez e constância dos reajustes. Só para se ter uma ideia, no final do ano passado, a Chanel aumentou pela quarta vez o preço de algumas de suas bolsas desde o início da pandemia, chegando a valores até 60% maiores em comparação aos de 2019. A bolsa Chanel Classic Flag, por exemplo, passou a custar 7,800 euros (em torno de R$ 45 mil) na França, apenas 100 euros a menos que a Birkin, da Hermès.

Recentemente, o grupo LVMH anunciou reajustes nos preços dos produtos de todas as suas marcas. A Louis Vuitton, por exemplo, remarcou em 25% suas bolsas mais populares. Outros produtos tiveram aumentos de 1% a 7%. O grupo Kering - Saint Laurent, Balenciaga, Gucci – deve seguir pelo mesmo caminho. Segundo a Reuters, a bolsa disputada Marmont, da Gucci, está 3% mais cara, assim como outros acessórios, que devem receber aumentos de até 15%. Em janeiro, a Balenciaga também já teria feito reajustes em suas lojas na China.

Mesmo usando a inflação e o aumento dos custos de produção como justificativa para a alta dos valores de seus produtos, o que se sabe é que as principais marcas de luxo dispararam nas vendar no último ano. O grupo LVMH cresceu 47% em vendas e estima-se, e acordo com reportagem do site FFW, que a Louis Vuitton sozinha tenha gerado mais de 16 bilhões de euros no ano. Comparativamente, a marca cresceu 11% desde 2019, com o setor de artigos de luxo apresentando um crescimento de 38%. A Gucci teve um crescimento de mais de 35% no último ano, enquanto o grupo Kering deve confirmar um crescimento de 20% apenas no último trimestre de 2021.

A decisão de algumas destas marcas em limitar a quantidade de itens que cada cliente pode adquirir é um norte do que pretendem também com os reajustes: restringir o acesso aos produtos mais populares para assegurar a exclusividade característica do mercado de luxo.

Na Chanel, desde outubro do ano passado, cada cliente só pode comprar um exemplar por ano das bolsas “Classic Flap Bag” e “Coco Handle”, dois dos seus hits. Pequenos produtos em couro também foram limitados a duas compras no mesmo período. Recentemente, a Hermès também limitou o número de bolsas que seus clientes podem adquirir a apenas dois exemplares de cada modelo por ano. Mesmo com tantas restrições, as portas das lojas de algumas dessas marcas seguem com fila em alguns países da Ásia e da Europa.

Foto: Shutterstock. Também estamos no Instagram (@sitealoalobahia), Twitter (@Aloalo_Bahia) e Google Notícias.

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