Executiva baiana fala sobre os desafios de planejar camarote que deve movimentar R$ 150 milhões no Carnaval de Salvador

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O Carnaval de 2024 não começou oficialmente e, enquanto milhares de foliões ainda definem a programação para a folia, a CEO da Premium Entretenimento, Luciana Villas-Bôas, já volta o olhar para 2025. Mergulhar de cabeça mesmo no planejamento, só a partir de março, mas ela começa a ter os primeiros insights para o Camarote Salvador 2025. Vindo de Luciana, não é de se estranhar. 

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"No meu DNA profissional, sou de planejamento e pessoas. Em meu histórico profissional sempre tive esse viés muito forte. Com um bom planejamento, boa equipe e paixão pelo que faz, você gera resultados em qualquer negócio". No Camarote Salvador, não podia ser diferente. Funcionando em Ondina, o espaço recebe 5 mil pessoas por noite, durante 6 dias de festa, gera renda para até 5 mil pessoas e deve movimentar R$ 150 milhões na economia baiana.

"Carnaval é coisa séria, precisa de muito planejamento. A Premium é 100% proprietária do camarote, tudo é feito por nós. Tem que começar a captação de patrocínio, as vendas...", explica a executiva, que é administradora por formação. A ida para a empresa, que é criadora e produtora do Camarote Salvador, foi justamente com essa missão: implementar o planejamento de processos. Antes, Luciana passou pela Rede Bahia e pela Prefeitura de Salvador. 
 
À frente do camarote, a executiva mostra que planejar faz a diferença. Os ingressos estão quase esgotados. "Ano passado tivemos sold out todos os dias e, esse ano, devemos ter de novo". Durante os seis dias de Carnaval, o Novotel, no Rio Vermelho, se transforma em Hotel Camarote Salvador e todos os 150 apartamento são ocupados pelos foliões. No momento, há menos de 10 quartos disponíveis. “Todo mundo que adquire o serviço faz o transfer e tem escolta", informa, acrescentando que esses serviços são oferecidos também para quem não é hóspede.
 
Como é um camarote vendido para um público de alto poder aquisitivo e exigente, cada detalhe é planejado minuciosamente. “90% do nosso público é turista. Tudo é muito importante para receber esse turista de alto poder aquisitivo que vem conhecer o Carnaval de Salvador", explica em entrevista ao Alô Alô Bahia. Vem gente do Brasil inteiro, mas o público predominante é de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 
 
São 12 mil m² de estrutura, três espaços de música (palcos Praia e Mirante e Salvador Club), mais de 70 atrações, entre nacionais e internacionais, que vão do axé a música eletrônica, passando pelo reggaeton. "É um palco de diversidade musical. Esse ano virá o J Balvin, que é um artista do reggaeton, que vai levar um ritmo diferente para dentro do camarote. Temos apostado em novos nomes, buscado ter diversidade musical, com funk, samba, música eletrônica...", afirma a CEO.
 
Nessas duas décadas, um dos desafios do Camarote Salvador é se superar ano após ano. "Realizamos pesquisa para entender o que está acontecendo de interessante no Brasil e no mundo. Os serviços precisam ser aperfeiçoados, porque a experiência passa, mas a memória fica. Temos o propósito de ser uma boa memória na vida dos nossos clientes", diz.
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Carnaval o ano inteiro
 
Se para o folião o Carnaval dura só uma semana, para Luciana ele movimenta seus dias o ano inteiro. Há dez anos, quando virou CEO da Premium Entretenimento, a festa deixou de ser diversão e virou trabalho. "Tenho que receber clientes, patrocinadores, amigos... É muito trabalho, mas também me divirto", conta a executiva.
 
Carnaval é também momento de network. Ela recebe todos os dias patrocinadores no espaço. “Quando o dirigente da marca já esteve no Carnaval de Salvador e no Camarote Salvador ele consegue materializar a dimensão que tem”, avalia, citando que o espaço conta com patrocinadores como a Chevrolet, a cervejaria Petra, a Pernod (Absolut, Beefeater e Chivas), Ellus, Schtuz, Sephorah.
 
O Carnaval de Salvador, de um modo geral, é muito desejado. Quando se trata do Camarote Salvador, é gente do país inteiro querendo ir. "Recebo muitos pedidos e percebo que ainda falta entendimento das pessoas de que entretenimento também é um negócio que precisa gerar resultados".
 
Sim, nem tudo no entretenimento é festa e traz só prazer. Fazer um camarote cansa, mas ver as ideias materializadas e o sorriso no rosto de uma multidão compensa. "O entretenimento é cansativo, mas a paixão na hora da execução é forte. Quando a gente entende que o evento foi seguro e consegue enxergar na expressão das pessoas a alegria de estar vivendo aquilo ali e ouvir o 'não vou embora´, no último dia, é muito gratificante".
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ESG no camarote
 
Alinhada às práticas ESG, a Premium Entretenimento tem também desafios na esfera social e ambiental. Um deles, é tornar o camarote um espaço cada vez mais sustentável. O projeto foi iniciado ano passado e os resultados são expressivos: destinaram 7,3 toneladas de material para reciclagem – 2,8 toneladas de pet, 2,5 toneladas de latinhas de alumínio e 2 toneladas de vidro, entre outros resíduos. 

Para este ano, a meta é reaproveitar 100% da água dos ar-condicionados para a limpeza do camarote. "90% dos nossos resíduos vão para a reciclagem, mas temos a meta de ser lixo zero em dois anos. Também inventariamos toda a emissão de carbono para, no final, comprar o crédito para neutralizar", informa.
 
Na esfera social, outra novidade é que Saulo Fernandes se apresentará, no sábado (10), no mirante do Salvador, voltado para a “pipoca”. Os foliões presentes no Camarote Acessível da prefeitura de Salvador terão vista privilegiada da apresentação. 
 
Todos os dias de Carnaval, parte do valor arrecadado dos acessos do camarote é revertido para projetos sociais em comunidades vizinhas. Além disso, o valor é distribuído para as instituições Asilo São Lázaro, Hospital Martagão Gesteira, Instituição de Caridade Lar Maria Luiza e Obras Sociais Irmã Dulce. No dia da apresentação de Saulo, esse valor será destinado exclusivamente ao Martagão Gesteira.
 
Ainda no âmbito social, a CEO conta que eles desenvolvem um trabalho para contratação de mão de obra das adjacências do camarote. "Temos dado capacitação para a comunidade de São Lázaro e nossa meta é que 10% das pessoas contratadas durante o Carnaval sejam de São Lázaro. Outra meta é garantir que pessoas com deficiência, negros e LGBTQIA+ ocupem cargos de liderança no espaço", informou a executiva.
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Fotos: Divulgação / @marefemiani. 

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