É nesta quinta-feira (16)! Salvador recebe Jantar Preto para celebrar as potências da comunidade negra

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A capital baiana sediará nesta quinta-feira (16) o Jantar Preto, evento pensado a partir da urgência de se criar espaços de luxo protagonizados por pessoas e lideranças negras do mercado criativo. O encontro é realizado pela agência KELE — spin off do coletivo MOOC — liderada por Kevin David e Levis Novaes, para celebrar a potência da cidade mais negra fora da África. Esta terceira edição celebra a brasilidade e a baianidade presentes no Novembro Negro como um mês de conexões diaspóricas para os festivais e eventos do Salvador Capital Afro.

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O projeto reunirá 60 artistas, influenciadores e lideranças pretas convidadas no Hotel Fasano Salvador, no Centro. Entre os nomes confirmados estão personalidades como Vovô do Ilê e Lunna Montty. O cantor Aloísio Menezes, do Cortejo Afro, será o mestre de cerimônias. 

O Jantar Preto desembarca na terra do dendê com conceito e fundamentos de celebrar a brasilidade e a baianidade. O menu do jantar levará a assinatura do chef Bahia Brito, que comanda a gastronomia do restaurante Fasano Salvador. Os convidados estarão todos em uma extensa mesa, como em uma grande reunião familiar, compartilhando sabores, texturas e aromas.

Em conversa com o Alô Alô Bahia, os sócios da KELE ag deram detalhes do Jantar; falaram sobre o potencial do Novembro Negro na capital baiana; e cobraram um compromisso maior das entidades e marcas, sobretudo em regiões descentralizadas do Sudeste. "Novembro tem potencial de ser uma data tão relevante quanto o Carnaval, quando falamos em momentos de celebração da comunidade negra, principalmente em Salvador. Mas esse é um compromisso que mais entidades e marcas precisam assumir para que a gente tenha força nesse movimento. Novembro não é só uma coisa, um dia, uma história, um momento. São várias coisas. Existe uma pluralidade de histórias na comunidade negra que gostariam de ser contadas e precisamos de apoio", afirma Kevin David. 

EDF 0830O diretor criativo, DJ e produtor executivo acredita que, para essas grandes empresas, "existe uma 'sonsice' e uma conveniência em se manter no mesmo lugar com os mesmos resultados". "As marcas não querem sair do Sudeste. Tudo sempre girou em torno de oportunidades em São Paulo, e mesmo quando comprovamos que Salvador têm se tornado um dos maiores polos culturais do Brasil, ainda existe resistência", completa. 

Apesar deste cenário, Kevin e Levis estão dispostos a contribuir com a aceleração de olhares voltados para Salvador o quanto antes. O Jantar Preto, nesta semana, é a prova disso. O projeto tem parceria com a Meta, empresa proprietária do Facebook, Instagram e WhatsApp, Flagcx e o Alô Alô Bahia como parceiro de mídia local. 

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  • Como surgiu a ideia do Jantar Preto?
Kevin David: A ideia do Jantar Preto surgiu de uma urgência de criar espaços de luxo não só ocupados, mas protagonizados por pessoas e lideranças negras do mercado criativo. 
 
  • Quando foi a primeira edição?
Levis Novaes: A ideia surgiu em dezembro de 2021, quando encontrávamos profissionais negros apenas em momentos específicos como talks e palestras, sempre ficava no ar sobre marcar um café, mas nunca acontecia. A princípio reunimos cerca de 30 lideranças negras de diferentes frentes de negócios, com a proposta de compartilharmos ideias e sentimentos, além de celebrar o ano. Esse foi o protótipo da potência que viria a ser o Jantar Preto mais tarde.

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  • Qual a importância do evento acontecer na capital da Bahia, a cidade mais negra fora da África?
Kevin David: Além da Bahia ser o lugar mais negro fora da África, Salvador é o lugar onde as pessoas negras mais tem consciência racial no Brasil. E acredito que esse entendimento sobre quem somos e de onde viemos é a nossa verdade mais pura, e algo que dificilmente enxergamos em outros lugares do Brasil. A necessidade de trazer o evento pra cá nasceu de um desejo de querer afirmar que esse lugar de contemporaneidade também é um mérito do povo soteropolitano.

Levis Novaes: A forma como a Bahia emerge criatividade se apresenta de um jeito único, em especial quando estamos falando sobre a influência direta da comunidade negra no ato das criações, não apenas em território nacional, mas como referência mundial. O berço das histórias afro-brasileiras apresenta a maior possibilidade de como podemos desenvolver novas experiências além do que um dia pode nos ter sido apresentado como limite. Essa é a proposta do Jantar Preto como estímulo para olhar o horizonte de possibilidades e entender que não existem limites para o que podemos alcançar.

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  • Qual a programação desta edição?
Kevin David: A terceira edição vai ser algo mais intimista, para 60 convidados, entre artistas, influenciadores e lideranças negras da cidade. Em "Noite de Ajeum", convidamos Aloísio Menezes para ser nosso mestre de cerimônia. A inconfundível voz do Cortejo Afro e patrimônio cultural vivo de Salvador fará uma celebração a brasilidade e a baianidade presentes no evento para reforçar as atividades do Novembro Negro e do Salvador Capital Afro, como uma forma de manifesto. Todo trabalho de pré-produção e curadoria está sendo feito por pessoas soteropolitanas e empresas locais.
 
  • Pode antecipar algo?
Kevin David: Teremos DJs, como Mansoor e Paulilo Paredão na after party, e uma colaboração de brindes com a Iloostre, marca de jóias de Neyzona;  além de um black carpet como uma área exclusiva para produção de conteúdo dos convidados. 
 
  • Quais são os convidados? A KeLe já pode antecipar pra gente alguns dos convidados confirmados?
Kevin David: Podemos adiantar que será uma mistura das figuras mais relevantes de Salvador indo desde Vovô do Ilê até Lunna Montty. A intenção é que seja uma mesa com uma mistura geracional de identidades negras discutindo sobre o futuro.
 
  • Vocês pretendem fazer outras edições do Jantar? Pensam em fazer mais vezes em Salvador?
Kevin David: A nossa próxima edição do Jantar já tem data marcada. Em março de 2024 sai a segunda edição do Prêmio MOOC100, lista que reconhece expoentes negros de diversos lugares do Brasil. E o Jantar Preto virou também uma plataforma que reconhece e celebra esses talentos em uma noite de excelência preta. Salvador com certeza é um lugar que pretendemos voltar. Uma edição não dá conta de todas as coisas que temos pra contar e nem todas as pessoas que gostaríamos de unir forças.

Levis Novaes: O Jantar Preto, se tornou um modelo escalável de forma surpreendente, hoje somos uma marca. Como pioneiros no segmento, levaremos essa experiência para comunidades negras criativas em todos os cantos do Brasil para vivenciar este momento de celebração, conexão e construção de novos imaginários. 
 
  • Vocês planejam outros eventos aqui em Salvador? 
Kevin David: Por hora, pretendemos apenas voltar com edições maiores do Jantar Preto. 
 
  • Já estamos quase na metade do Novembro Negro. Como que você analisa esse período até então? 
Kevin David: Acredito que Novembro tem potencial de ser uma data tão relevante quanto o Carnaval quando falamos em momentos de celebração da comunidade negra, principalmente em Salvador. Mas esse é um compromisso que mais entidades e marcas precisam assumir para que a gente tenha força nesse movimento. Novembro não é só uma coisa, um dia, uma história, um momento. São várias coisas. Existe uma pluralidade de histórias na comunidade negra que gostariam de ser contadas e precisamos de apoio. Precisamos de apoio acima de tudo em regiões descentralizadas do Sudeste. A gente que vem de um mercado de publicidade muito enviesado de São Paulo, sabemos que o recurso que está sendo aportado para Salvador é pouco, e é menos do que o mínimo. Salvador respira negritude o ano todo, então além de fazer com que Novembro Negro se torne sim uma oportunidade de calendário o mês inteiro, existe também uma falta de compromisso com um calendário de ações anualmente aqui porque a negritude que estamos testemunhando no Salvador Capital Afro acontece o ano todo na cidade inteira.
 
  • O que vocês já podem tirar de insights desse período? 
Levis Novaes: Estimular a economia significa literalmente impulsionar a economia brasileira e quem ainda não entendeu isso está muito atrasado. Atualmente, Novembro é o momento em que esse estímulo acontece com maior intensidade, porém existem muitos passos a serem dados em direção ao futuro. O ponto é que existe uma resistência em pensar em como isso pode acontecer de forma recorrente descentralizada, o que ampliará a capacidade de retorno dos investimentos. 

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  • Alguma resolução para o futuro?
Levis Novaes: Pensando no futuro, acredito que existem diversas medidas que podem ser tomadas para que mudanças significativas aconteçam como: calendário de investimento anual para negócios, produtores e fornecedores negros, e além das promessas ou compromissos apresentados em fotos, a troca precisa ser sobre dinheiro no bolso de todo mundo.
 
  • Kevin, você fez um desafio sobre a falta de apoio das marcas ao evento. Por que as marcas não apoiam iniciativas como essa? Além do racismo sistêmico, existe ainda uma dificuldade da descentralização das verbas do eixo Sul-Sudeste. Como você enxerga isso? Na sua opinião, o que falta para as marcas apoiarem eventos como esses do novembro Negro?
Kevin David: As marcas não querem sair do Sudeste. Existe uma sonsice e uma conveniência em se manter no mesmo lugar com os mesmos resultados. Tudo sempre girou em torno de oportunidades em São Paulo, e mesmo quando comprovamos que Salvador têm se tornado um dos maiores polos culturais do Brasil, ainda existe resistência. Porque é mais fácil um festival internacional vir de fora e captar recursos para um evento do que uma festa local conseguir um apoio de bebida? São perguntas importantes que a cidade precisa de resposta. A gente como um negócio preto, que acredita no impacto da economia criativa, e que vêm do Sudeste, estamos muito dispostos a contribuir com essa aceleração de olhares voltados para cá o quanto antes. Salvador tem uma urgência enorme de apoio e não podemos perder o momento de fazer isso aqui virar um destino não só em Novembro, mas um lugar seguro para quem está empreendendo aqui o ano inteiro.

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  • Como começou a parceria de vocês com a Meta? Vocês vão fazer alguma outra ação com a multinacional? Como eles vão participar do evento?

Kevin David: Nossa parceria com a Meta começou com a campanha "Se gosta, se mostra" do Instagram Brazil, que tinha Ludmilla, Mc Sophia, Mel e Rafael Mike como protagonistas. A gente fazia parte do elenco da Conspiração Filmes e tínhamos acabado de abrir uma vertical de produção audiovisual independente. Foi o primeiro projeto em que fizemos a produção executiva e a direção criativa por conta própria e foi um sucesso. Depois criamos um canal de confiança e parceria super transparente e isso foi se potencializando ao desenvolver dos anos: fizemos identidade visual pro grupo de afinidade interno Black@, Meta apoiou nossa primeira ida para Nova York com Afropunk, fizemos direção criativa pro #ElaFazHistória ao lado de Feira Preta, criamos identidade visual pro bot de WhatsApp, MeBote Na Conversa até chegarmos no projeto Ads4Equality, onde atuamos como agência criativa parceira e produtora audiovisual, criando um case que foi Bronze no Cannes Lions na categoria "Creative B2B”, Prata e Ouro no Festival Clube de Criação. Desde então, Meta entrou como patrocinadora do evento este ano, mostrando apoio às nossas iniciativas como uma agência criativa brasileira e independente que olha pra cultura e comunidade.

Qual a importância de ter essa parceria com o Alô Alô Bahia, que é uma plataforma que está expandindo o olhar para diversidade cada vez mais?

Kevin David: É importante pra gente ter parceiros que consigam dar escala ao que queremos dizer. Alô Alô Bahia acaba sendo um veículo que dialoga com grande parte de soteropolitanos, e para a gente — sendo uma agência fora de Salvador — é importante que essa conexão seja autêntica.

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Fotos: Elias Dantas/Alô Alô Bahia.

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