Comunidades quilombolas têm papel importante na preservação da identidade de Salvador

Considerado o lugar com a maior população negra fora da África, Salvador possui seis comunidades remanescentes de quilombos oficialmente reconhecidas e certificadas pela União, através da Fundação Cultural Palmares. Cinco delas estão situadas em Ilha de Maré (Praia Grande, Martelo, Ponta Grossa, Porto dos Cavalos e Bananeiras) e uma no bairro de Paripe (Alto do Tororó). 

Com orgulho,  Maria de Lourdes Silva faz questão de dizer que nasceu e cresceu no Alto do Tororó, onde mora com um filho e o marido. “Minha vó foi uma ex-escravizada e minha mãe é griô na comunidade. Costumo falar que este é o meu lugar. Quem chega de fora não quer ir embora. Muitos até perguntam se tem casa para alugar aqui”, destaca, reforçando a vista para o mar como um dos grandes atrativos da região.

O resgate e a preservação de manifestações culturais que sofriam risco de extinção, como a festa do Bumba-meu-boi, comemorada no local no Dia de Reis (6 de janeiro), fazem parte da raíz dessas comunidades."Uma das nossas histórias de conhecimento popular é que havia um lobisomem que andava pelo quilombo. Já meu tio Manoel, que era um rezador conhecido como Preto Velho, falava sobre a existência de um cavaleiro montado em um cavalo branco, em noite de lua cheia. Havia ainda um popular curandeiro da comunidade, conhecido como Zé Loba, que olhava para o mar e apontava aos pescadores os pontos exatos onde havia peixes”, conta Lourdes.

O professor e pesquisador Carlos Eduardo Santana, pós-doutorando em História, Educação e Interculturalidade pela Universidade Federal de Sergipe, explica que “Falar dos quilombos é expor de forma intencional a história de homens e mulheres que, ao longo dos anos, constituíram-se enquanto uma comunidade que elaborou estratégias de sobrevivência, em meio a um mundo extremamente hostil e notadamente racista”. 

O educador reforça que, nos dias atuais, a Ilha de Maré é uma das regiões da cidade com maior concentração de população negra - 92,99% dos moradores da ilha declararam ter pele “preta” ou “parda”, conforme o censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística na capital baiana, em 2010. 


Ações da Prefeitura

Com o objetivo de proporcionar mais desenvolvimento social e qualidade de vida às pessoas que vivem nessas áreas, há dois anos, a Prefeitura reformou 150 casas em Alto do Tororó através do programa Morar Melhor.

Diversas unidades de ensino em Ilha de Maré passaram por requalificação, incluindo a ampliação da Escola Claudemira Santos Lima e da Escola Municipal da Bananeira, além da implantação de uma área coberta para recreação na Escola Municipal de Santana e da construção de uma muro de contenção em pedra e alvenaria na Escola Municipal de Ilha de Maré.

Ainda como parte dos esforços da administração municipal em prol do acesso a educação, a Prefeitura criou a Casa dos Estudantes Quilombolas, com o intuito de oferecer moradia a estudantes universitários quilombolas de Ilha de Maré, que cursam o ensino superior na parte continental da capital baiana. Inaugurada em 2018, a estrutura atualmente beneficia 21 alunos e fica situada no Matatu de Brotas.

 

 

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