Como está a situação da Ômicron na África do Sul, local do primeiro surto da variante

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A África do Sul foi o primeiro país atingido pela variante Ômicron, da Covid-19, com os cientistas locais anunciando a descoberta em 25 de novembro de 2021. Desde então, ela se espalhou por todo o mundo e, neste início de ano, se alastra rapidamente no Brasil – embora os dados sobre ela no país ainda estejam bastante incipientes. 

Embora a situação da África do Sul possa não ser exatamente replicada em outros lugares – por causa de diferenças demográficas e de saúde –, os dados do país ainda estão sendo observados de perto.

Até agora, o número de hospitalizações foi menor do que em ondas anteriores, e os médicos relataram pacientes com sintomas mais leves. A onda de infecções também aumentou e depois diminuiu mais rapidamente do que em surtos do passado.

“A onda da Ômicron está no fim, o excesso de mortalidade já está em uma tendência de queda e, em comparação com as ondas anteriores, foi menor. Esta é uma boa notícia e um ponto de virada na pandemia”, disse no Twitter o professor e médico Shabir Madhi, que conduziu testes de vacinas na África do Sul para a AstraZeneca e a Novavax.

Segundo o jornal O Globo, os dados oficiais de mortalidade da Covid-19 não registram todas as mortes pela doença, especialmente em países mais pobres como a África do Sul, onde as pessoas podem morrer em suas casas ou áreas remotas sem serem testadas quanto à infecção.

O número de mortes em excesso na semana até 26 de dezembro caiu para 3.016 em relação a 3.087 uma semana antes, informou na quarta-feira o Conselho Sul-Africano de Pesquisa Médica. 

O excesso de mortes na África do Sul causado pelas infecções pela variante Ômicron atingiu seu pico totalizando uma fração dos números vistos nos surtos causados por variantes anteriores. O dado de mortes em excesso mede a diferença entre o número relatado de óbitos em um determinado período da pandemia e uma estimativa do número esperado para esse mesmo período se a Covid-19 não tivesse ocorrido.

A medida, considerada uma indicação mais precisa do impacto da Covid-19 do que as estatísticas oficiais de mortalidade ligadas à doença, sinaliza como o estágio mais recente da pandemia pode se apresentar globalmente.

Na África do Sul, as mortes oficiais em decorrência da Covid caíram de 428 para 425. A queda de mortes em excesso foi a primeira em três semanas.

Os últimos números se comparam a um pico de 16.115 mortes em excesso no início de 2021, quando a cepa Beta atingiu a África do Sul, e o país ainda não havia iniciado a vacinação. Em julho de 2021, o excesso de mortes semanais atingiu um pico de pouco mais de 10 mil, na onda da Delta.

“O número estimado de mortes em excesso começou a diminuir, o que é compatível com a tendência no número de mortes confirmadas por Covid-19. Esta observação indica que uma proporção significativa do excesso de mortalidade atualmente observado na África do Sul seja provavelmente atribuível à Covid-19”, disse o Conselho de Pesquisa Médica local.

Enquanto o total oficial de óbitos por Covid-19 na África do Sul está em 91.561, o número de mortes em excesso é de mais de 286 mil. O excesso de mortes parece ter atingido o pico na província de Gauteng, onde a Ômicron foi identificada pela primeira vez, assim como em três das outras oito províncias do país.

“Cabo Ocidental superou o pico de sua quarta onda e esperamos um declínio consolidado dos casos nas próximas semanas”, disse o primeiro-ministro da província sul-africana, Alan Winde, em um comunicado nesta quinta-feira. “As hospitalizações foram menores e as mortes permaneceram notavelmente baixas, apesar de um número recorde de infecções”, complementou.

Na última semana, a província registrou 29 mortes por dia relacionadas à Covid-19, em comparação com 123 por dia no pico da Delta.

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