Chanel pode estar aumentando os preços de bolsas para ficar tão exclusiva quanto a rival Hermès; a gente explica

Gabriela Cruz é jornalista, ilustradora e escreve para o Alô Alô Bahia. 

Existem bolsas de valores muito mais hypadas do que aquelas tradicionais, que movimentam o mercado de ações. Estou falando das bags de luxo de grifes poderosas, como a Chanel, que decidiu reajustar para cima os preços globais de algumas de suas peças clássicas em quase 66% desde o fim de 2019. Uma porta-voz da maison disse que os aumentos são uma resposta a flutuações de taxas de câmbio, mudanças nos custos de produção e um esforço de manter o mesmo preço do produto em todo o mundo. 

Mas o que os executivos e analistas do setor de luxo acreditam é que existe um esforço da Chanel em se manter no mesmo patamar de desejo de marcas semelhantes, como a Hermès, fugindo um pouco da Vuitton e da Gucci, que ficaram, digamos, mais pop nos últimos tempos. Como prova dessa teoria, os especialistas apontam, por exemplo, o reajuste da 2.55 – clássico dos clássicos – da Chanel, que passou de 7.400 para 9.500 dólares nos EUA após o aumento mais recente de preço, o quarto feito pela marca em dois anos, de acordo com dados compilados pela analista Kathryn Parker, do Jefferies Group. Outro aumento foi aplicado no valor de uma bolsa do modelo flap média na França, que passou a custar 8.800 dólares, 100 euros a menos do que uma bolsa de couro de bezerro Birkin 30 da Hermès.

A Chanel se esforça “para fazer parte do mundo Hèrmes e menos do mundo Vuitton e Gucci. Estão tentando se tornar mais sofisticados”, avalia Charles Gorra, CEO da Rebag, que vende bolsas de luxo usadas. Segundo ele, em matéria no site da Exame, a estratégia pode ter como objetivo tornar os produtos da Chanel mais exclusivos para ganhar espaço entre as bolsas mais icônicas de todas: os modelos Birkin e Kelly da rival Hermès. 

Outra estratégia da Chanel é limitar o número de bolsas que seus clientes podem comprar de uma só vez. Em Paris, um assistente de vendas da Chanel disse a um repórter da Bloomberg News que um cliente só pode comprar uma bolsa por vez e precisa esperar dois meses antes de comprar outra, diferente da anterior. Em Nova York também havia limites, embora as equipes do site em Hong Kong e Xangai não confirmaram tal controle nas lojas dessas cidades.

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