Roberto “Pico” Lopes, zagueiro de Cabo Verde nascido em Dublin, virou personagem da Copa do Mundo nesta segunda-feira (15) após disputar a estreia do país no empate por 0 a 0 com a Espanha, em Atlanta. A história ganhou força porque a entrada dele na seleção começou com uma mensagem no LinkedIn quase ignorada como spam.
O contato foi feito pela Federação Cabo-Verdiana de Futebol quando a comissão técnica identificou que Lopes, filho de pai cabo-verdiano e mãe irlandesa, poderia defender os Tubarões Azuis. A primeira abordagem estava em português, idioma que ele não dominava, e ficou sem resposta até uma nova tentativa, desta vez em inglês, recolocar o convite no caminho do defensor.
“Achei que fosse spam”, disse o jogador ao relembrar a reação inicial. Depois de traduzir a mensagem e entender que se tratava de uma chance real, Lopes aceitou representar o país do pai, estreou pela seleção em 2019 e se tornou uma das peças da campanha que levou Cabo Verde à primeira Copa de sua história.
A trajetória também chama atenção pelo ponto de partida pouco comum. Antes de se firmar no Shamrock Rovers, da Irlanda, o zagueiro conciliou futebol local com trabalho fora dos holofotes e chegou à seleção já adulto, longe do circuito tradicional de observação das grandes ligas europeias.
Na estreia em Atlanta, Lopes ajudou a sustentar uma defesa que resistiu à pressão espanhola e saiu de campo com o primeiro ponto cabo-verdiano em Mundiais. O resultado colocou a história pessoal do zagueiro ao lado de uma marca coletiva: a de uma seleção estreante que transformou uma mensagem quase perdida em capítulo de Copa.