Os Dândis

Assistindo ao Grande Gatsby, com Leonardo DiCaprio, dia desses, fui remetido ao tempo dos dândis e toda a riqueza em torno do seu estilo de vida e modo pomposo com o qual eles se vestiam. Com um pouco do meu tempo livre, pesquisei um mais sobre essas figuras interessantes e cheguei aos, acreditem, Dândis do Congo. “A moda é cíclica” e“Para se vestir bem não é necessário ser rico” são máximas que todo blogueiro de moda repete pela internet e todo mundo já leu e se provaram mais verdadeiras do que nunca com esse “achado”.

Antes de mais nada, vale explicar de onde vem o termo dândi e o que ele define. Dandismo, no dicionário, significapretensão à elegância, ao supremo bom-tom e dândi é, simplesmente, quem segue esse preceito da “impecabilidade” nos modos de agir e de se vestir. Fácil, né? Figuras conhecidas como Oscar Wilde e o próprio Jay Gatsby, interpretado por DiCaprio, são bons exemplos. Homens que valorizavam o extremo bom gosto e possuíam senso estético apurado.

Desde o começo da sua história, no entanto, os dândis, esses jovens que admiravam arte e prezavam pelo modelo perfeito de educação, não pertenciam, necessariamente, à alta aristocracia, provando, desde então, que dinheiro não “compra” elegância. De uns tempos pra cá, esse personagem - com adaptações, claro - está de volta, principalmente em função da explosão do consumo masculino e o (re)nascimento do “metrosexual” em todo o mundo.

O exemplo do Congo é emblemático, pois revela que o dandismo realmente não vê conta bancária e é um estilo de vida, mascarando, inclusive, a pobreza rotineira que assola o país africano em desenvolvimento e em meio a uma guerra. Nesse cenário, vive a Société des Ambianceurs et des Personnes Elegantes, ou simplesmente La SAPE, na sigla que pode ser trocada facilmente por Dândis do Congo.

Eles ficaram famosos depois da publicação do livro Gentlemen of Bacongo, de Daniela Tamigni. São homens que, circulando pelos bairros mais pobres de suas cidades, não deixam de ser vestir impecavelmente, misturando como ninguém o clássico com o supermoderno, valorizando bom corte e tecidos nobres, mesmo sem muito dinheiro no bolso.

Quem se interessou pelo assunto, pode ler mais em outros três livros, muito citados na internet: The Dandy Portraits e Lives of the Dandies, de Rose Callahan e Nathaniel Adams, respectivamente, que, juntos, acabam de lançar I Am Dandy: The Return of The Elegant Gentleman. O novo livro mostra, através de lindas imagens, que o dandismo ainda faz parte da paisagem cultural na qual vivemos e, pelo jeito, vem ganhando força. Eles são nossa inspiração!

Por José Mion/Dptmasculino Foto: Reprodução. 

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