O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que não pretende revelar como deixou o Brasil e chegou aos Estados Unidos após a derrota nas eleições presidenciais realizadas no final de outubro. Em entrevista ao jornal The New York Times, publicada nesta quinta-feira (5), ele declarou que levará os detalhes da viagem para o túmulo. “Como eu cheguei aqui eu levarei para o túmulo comigo”, disse. O parlamentar também afirmou que organizou o deslocamento por conta própria e negou ter recebido auxílio de qualquer governo. “Não houve ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo”, declarou.
A versão apresentada pelo senador contrasta com informações mencionadas pelo próprio jornal americano. Segundo o New York Times, a viagem de jatinho que o levou a Miami em 28 de outubro foi organizada por uma autoridade da Casa Branca. A publicação também informou que a entrada de Flávio nos Estados Unidos foi autorizada diretamente pelo presidente Donald Trump, conforme relatos de autoridades americanas. O trajeto incluiu ainda passagens pelo Equador e pela Argentina, onde um dos principais assessores do presidente argentino se encontrou com o senador em um aeroporto.
Durante a entrevista, Flávio evitou esclarecer se pretende pressionar o governo Trump a adotar medidas contra o Brasil. De acordo com o jornal, o tema é sensível diante das circunstâncias que envolveram sua entrada nos Estados Unidos e da autorização concedida pelas autoridades americanas.
O senador também retomou argumentos apresentados em uma carta divulgada em 28 de outubro. Sem apresentar provas, rejeitou o resultado eleitoral que confirmou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), criticou os gastos do governo petista durante a campanha e atacou o movimento digital que contribuiu para ampliar o apoio ao adversário entre os dois turnos. Flávio voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas e classificou como “matematicamente impossível” a vitória de Lula.
Na conversa com o New York Times, o parlamentar ainda declarou ser inocente nas investigações relacionadas a suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção. Ele atribuiu motivações políticas à atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou acreditar que “o resultado final (das apurações) será a minha prisão”.
Apesar de mencionar essa possibilidade, Flávio disse que pretende voltar a disputar um cargo eletivo. “Preciso seguir em frente com a minha vida a partir dos Estados Unidos, pelo menos por enquanto (…) Se houver novas eleições, obviamente serei candidato novamente”, afirmou.