Um chocolate desenvolvido com ingredientes estudados por seus possíveis benefícios à saúde, um robô construído com peças de Lego para recolher lixo das praias e um repelente natural contra mosquitos são alguns dos projetos científicos que estão sendo desenvolvidos por estudantes de diferentes municípios da Bahia.
As cinco iniciativas foram desenvolvidas por jovens de Ponto Novo, Cafarnaum, Presidente Dutra, Ipiaú e Salvador. Os trabalhos abordam desafios relacionados à saúde, à educação e à preservação ambiental, combinando pesquisa, criatividade e valorização de recursos regionais.
Conheça os projetos:
Sabonete com ingredientes da Caatinga
Em Ponto Novo, no norte da Bahia, dois estudantes criaram o Purificaê, um sabonete artesanal desenvolvido com barbatimão, copaíba e argila da Caatinga.
A proposta é investigar o potencial desses ingredientes naturais em produtos para cuidados com a pele, especialmente em casos de acne.
Além de valorizar a biodiversidade do semiárido, o projeto busca aproximar conhecimentos tradicionais da pesquisa científica. A eficácia e a segurança da formulação ainda dependem de testes específicos.
Álbum apresenta 24 mulheres cientistas
Em Cafarnaum, duas estudantes desenvolveram o projeto As Cientistas Incríveis, um álbum de figurinhas que apresenta a trajetória de 24 mulheres que contribuíram para a ciência.
Entre as homenageadas está a biomédica baiana Jaqueline Goes de Jesus, que participou do sequenciamento do genoma do coronavírus no início da pandemia.
A proposta utiliza uma dinâmica interativa: os alunos conquistam figurinhas ao participar de atividades escolares, como a leitura de livros.
O objetivo é estimular o interesse pela ciência, incentivar a leitura e ampliar a visibilidade das mulheres na pesquisa científica.
Repelente natural contra o mosquito da dengue
Em Presidente Dutra, dois estudantes estão desenvolvendo um repelente em creme à base de cravo-da-índia, com o objetivo de investigar uma possível alternativa de proteção contra o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, zika e chikungunya.
O ingrediente contém eugenol, substância estudada por suas possíveis propriedades repelentes.
O produto ainda está em fase de testes e precisa passar por avaliações de eficácia, segurança e duração da proteção. Por enquanto, não deve substituir repelentes registrados pelas autoridades sanitárias.
Chocolate com ingredientes de interesse funcional
Em Ipiaú, no sul da Bahia, três estudantes criaram o ChocoMed, um chocolate com aproximadamente 70% de cacau, combinado com extratos de melão-de-são-caetano e sementes de abóbora.
A proposta investiga as características nutricionais e os possíveis efeitos dos ingredientes, com atenção especial à alimentação de pessoas com diabetes tipo 2.
O projeto também valoriza a produção de cacau, uma das atividades econômicas tradicionais da região.
Apesar da proposta funcional, o chocolate ainda precisa de análises nutricionais e estudos que comprovem sua segurança e adequação para pessoas com diabetes.
Robô de Lego para limpar praias de Salvador
Na capital baiana, quatro estudantes do Colégio Estadual Mãe Stella desenvolveram um carrinho robótico autônomo projetado para auxiliar na coleta de resíduos sólidos nas praias.
Construído com peças de um kit educacional de Lego, o protótipo utiliza conhecimentos de programação, automação e robótica para enfrentar um problema ambiental: o descarte irregular de lixo no litoral.
O equipamento foi concebido para se deslocar pela areia e recolher materiais descartados. A tecnologia ainda passa por testes e aprimoramentos antes de uma possível utilização em condições reais.
Ciência e criatividade nas escolas
Embora tenham propostas diferentes, os cinco projetos mostram como a pesquisa escolar pode contribuir para a busca de soluções relacionadas ao cotidiano.
As iniciativas também valorizam a biodiversidade, a produção regional, a educação científica e a preservação ambiental, ao mesmo tempo que estimulam o interesse dos jovens pela inovação.