Após uma onda de protestos marcada por confrontos, depredações e saques, autoridades francesas impuseram restrições à circulação durante a noite em áreas de Paris. Anunciada nesta segunda-feira (19), a medida vale das 23h às 6h, no horário local (18h à 1h, em Brasília), na Place de la République e nas imediações de Les Halles, segundo informações divulgadas pela CNN.
Os episódios de violência ocorreram durante manifestações que se espalharam pelo país ao longo do fim de semana. Mais de 2 mil pessoas foram detidas, e há registros de pelo menos duas mortes e feridos graves. No domingo (18), um manifestante morreu ao norte de Paris após sofrer uma parada cardiorrespiratória.
Na capital francesa, carros e motocicletas incendiados foram encontrados nas proximidades de estabelecimentos comerciais depredados, com vitrines quebradas. Segundo a Federação do Comércio e Varejo, quase 3 mil estabelecimentos foram atingidos durante o fim de semana.
Toques de recolher em outras cidades
As restrições também foram adotadas em outras localidades francesas. Em Lille, no norte do país, as autoridades determinaram um toque de recolher com início às 15h desta segunda-feira (19), no horário de Brasília, e término à 1h de terça-feira (20). A medida também abrange Douai, Wattignies e Denain, segundo uma fonte do gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu ouvida pela agência Reuters.
Em Nice, menores de idade estarão sujeitos a restrições de circulação a partir das 21h, no horário local (16h, em Brasília), nas ruas do centro da cidade. A decisão foi anunciada por Éric Ciotti, representante da prefeitura de Alpes-Maritimes, em publicação na rede social X.
Protesto fecha Museu do Louvre
Em Paris, manifestantes bloquearam nesta segunda-feira (19) o acesso ao Museu do Louvre, em um ato de apoio ao movimento estudantil e de denúncia da repressão policial. A mobilização foi organizada por estudantes da Escola do Louvre e impediu que o museu abrisse no horário habitual, às 9h (4h, em Brasília).
Em comunicado nas redes sociais, a instituição informou aos visitantes sobre o fechamento temporário: “Prezados visitantes, devido a um movimento social estudantil, o museu está fechado no momento. Pedimos desculpas pelo inconveniente”.
Os protestos começaram nas últimas semanas, inicialmente em escolas de ensino médio de bairros periféricos ao norte de Paris. Os estudantes denunciavam a falta de professores e as condições precárias das instalações escolares. Com o avanço das mobilizações, as reivindicações passaram a incluir críticas à desigualdade social, aos gastos públicos considerados insuficientes e à deterioração dos serviços oferecidos à população.
A escalada dos atos ocorre em um contexto de polarização política e de pressão sobre o presidente Emmanuel Macron, que se aproxima do fim do mandato. As manifestações, que começaram com pautas estudantis, passaram a reunir diferentes setores da sociedade insatisfeitos com a situação econômica e social do país.