A Defesa Civil de Salvador (Codesal) iniciou um projeto-piloto para monitorar a erosão costeira em quatro praias da Barra. A iniciativa utiliza imagens de satélite e levantamentos topográficos de alta precisão para acompanhar mudanças na faixa de areia e produzir dados que auxiliem o planejamento e a conservação da orla.
Segundo a Codesal, a escolha dos trechos levou em consideração um estudo preliminar que identificou alterações na linha de costa ao longo das últimas décadas, além das características naturais das praias e da importância da região para o turismo e o uso público.
As visitas de campo estão previstas para o segundo semestre de 2026 e ao longo de 2027. A prefeitura já adquiriu os equipamentos necessários para realizar as medições.
O projeto utiliza a tecnologia GNSS RTK, sistema de posicionamento por satélite que permite obter coordenadas com precisão centimétrica. Com os dados, será possível mapear o relevo das praias e comparar as mudanças registradas em diferentes períodos.
A previsão é que os levantamentos sejam realizados preferencialmente todos os meses, com medições adicionais após eventos climáticos extremos. As informações serão organizadas em sistemas de informação geográfica, como o QGIS, e integradas a imagens de satélite e técnicas de reconstrução batimétrica.
De acordo com o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, o monitoramento deve ampliar o conhecimento sobre as transformações do litoral da capital e contribuir para o planejamento de medidas preventivas.
“Precisamos compreender melhor as transformações que ocorrem nas nossas praias para orientar decisões e planejar medidas de proteção”, afirmou.
Resultados dependem de acompanhamento
Os primeiros resultados poderão ser obtidos após as medições iniciais. No entanto, a Codesal estima que será necessário pelo menos um ano de acompanhamento para formar uma série histórica consistente e observar as variações sazonais das praias.
Os dados poderão orientar ações de prevenção, planejamento urbano e ambiental e proteção da infraestrutura costeira. A proposta é ampliar gradualmente o monitoramento para outras praias de Salvador, conforme os resultados do projeto-piloto e o planejamento das próximas etapas.
Nesta fase, a execução está sob responsabilidade da Codesal. O órgão também mantém contato com a Universidade Federal da Bahia (UFBA) para avaliar possibilidades de colaboração.
Projeto não prevê obras nas praias nesta fase
O monitoramento também considera os possíveis efeitos das mudanças climáticas, como a elevação do nível do mar e alterações nas ondas e na ocorrência de eventos extremos.
Apesar disso, o projeto não prevê intervenções físicas nas praias neste momento. Uma eventual alimentação artificial, técnica que consiste na reposição de areia em trechos afetados pela erosão, dependeria de estudos sobre a dinâmica dos sedimentos, a compatibilidade do material e os impactos ambientais, inclusive nas praias vizinhas.
A Codesal recomenda que a população evite descartar resíduos nas praias, respeite a vegetação de restinga e as áreas naturais costeiras e comunique às autoridades casos de erosão acentuada ou danos em estruturas próximas ao mar.
As informações coletadas ainda estão em fase de análise. A divulgação dos resultados não tem data definida.