Maria Bethânia foi homenageada numa edição especial do programa ‘Sem Censura’, da TV Brasil, nesta sexta-feira (16), no qual relembrou histórias dos seus 60 anos de carreira ao lado de amigos de longa data. Na entrevista, conduzida pela apresentadora Cissa Guimarães, ela se lamentou pela atual situação do país e se questionou se sua atuação como cantora e intérprete ainda faz sentido num cenário tão desafiador.
“Do jeito que a gente está indo, não tem sentido eu cantar. Porque o Brasil está frouxo. Eu não sei cantar frouxidão”, desabafou.
Confira:
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Conhecida por suas interpretações intensas e cheias de vitalidade de canções clássicas e contemporâneas da Música Popular Brasileira, a irmã de Caetano Veloso fez questão de ressaltar o quanto seu modo de se expressar parece incongruente com o momento atual do país. A cantora ganhou fama como parte de uma geração que desafiava as restrições impostas na época da Ditadura Militar (1964 – 1985).
“Eu sei cantar a nobreza, a beleza, a força, a coragem, a vontade, a intenção. É o que eu sei cantar. Eu estou muito triste, gente”, afirmou.
Confira a entrevista completa:
Com uma das trajetórias mais reconhecidas da música brasileira, Maria Bethânia ganhou projeção nacional em 1965, quando substituiu Nara Leão no espetáculo Opinião, no Rio de Janeiro. Sua interpretação de Carcará, composição de João do Vale e José Cândido, tornou-se um marco de sua estreia.
Em 1976, integrou os Doces Bárbaros, ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil e Gal Costa. Dois anos depois, lançou o álbum Álibi, que ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas e reuniu sucessos como Explode Coração e Negue.
Ao longo das décadas seguintes, Bethânia consolidou um estilo próprio de espetáculo, combinando música, poesia e teatralidade em apresentações marcadas por referências à cultura e às tradições brasileiras.