As boias amarelas instaladas recentemente no Porto da Barra, em Salvador, começam a fazer parte da rotina de banhistas, nadadores e praticantes de esportes náuticos que frequentam uma das praias mais movimentadas da cidade. A estrutura, implantada como projeto-piloto pela Prefeitura, delimita a área destinada aos banhistas e busca impedir a aproximação de embarcações motorizadas da faixa de areia.
A nova configuração ainda exige adaptação de quem utiliza o Porto diariamente. Além de modificar visualmente a paisagem da praia, as boias estabelecem um limite mais claro entre a área de banho e o espaço onde circulam motos aquáticas e outras embarcações.
A estrutura foi instalada em cinco poitas e delimita uma área de aproximadamente 90 metros a partir da areia. O investimento foi de R$ 450 mil e inclui um sistema de videomonitoramento, em uma ação integrada entre a Guarda Civil Municipal e a Capitania dos Portos.
Câmeras de alta resolução permitem identificar eventuais invasões da área reservada aos banhistas, com as imagens encaminhadas à Capitania dos Portos para as medidas cabíveis.

Boias no Porto da Barra entram na rotina de banhistas e nadadores
Adaptação de quem frequenta o Porto
Instrutor de natação e atleta, Guimarães costuma nadar no Porto da Barra e considera que as boias cumprem uma função tanto de sinalização quanto de proteção.
“Elas têm o intuito tanto de sinalizar quanto de proteger. Porém, muitas pessoas entendem que pode servir como um limite onde elas devem sair da faixa de areia e nadar até as boias. Mas como elas também têm o caráter educativo, quem está aqui na faixa de areia também vai ter essa percepção de que é o limite para não ultrapassar. Principalmente porque após as boias tem a predominância das embarcações e o trânsito de outros equipamentos aquáticos”, afirma.
Para os nadadores que utilizam diariamente o Porto da Barra para treinar, a estrutura também exige uma nova atenção. A presença de cabos e outros elementos dentro d’água passa a fazer parte do percurso de quem pratica natação no local.
A orientação é para que os frequentadores não se pendurem nas boias, medida destinada a evitar acidentes e preservar a estrutura.

Boias no Porto da Barra entram na rotina de banhistas e nadadores
Passagem continua aberta para embarcações
A delimitação não bloqueia completamente a circulação de embarcações no Porto da Barra. Um trecho próximo à rampa foi mantido aberto para permitir a passagem de canoas, caiaques, praticantes de esportes náuticos e embarcações utilizadas pela colônia de pescadores.
A posição das boias levou em consideração características do local, como pedras, correnteza e a necessidade de manter uma área de escape.
Para Jean Claude, um dos frequentadores ouvidos pela reportagem, a separação física contribui para proteger os banhistas, mas não elimina a necessidade de fiscalização e conscientização de quem conduz embarcações.
“De fato, a gente protegeu. Mas não resolve o problema da educação. Porque quando você passa além disso, é como hoje uma porta aberta para quem já estava se comportando de uma maneira questionada”, afirma.
Projeto pode ser levado para outras praias
A experiência ganha ainda mais importância com a proximidade do verão, período em que o Porto da Barra registra aumento no número de frequentadores.
O coordenador da Salvamar, Kailani Dantas, afirmou recentemente que o projeto-piloto poderá servir de referência para a instalação de estruturas semelhantes em outras praias de Salvador. O objetivo é ampliar a separação entre áreas destinadas aos banhistas e aquelas utilizadas por embarcações, reduzindo o risco de acidentes.
Ainda não há definição sobre qual será a próxima praia a receber o equipamento.
Nos próximos meses, a experiência no Porto da Barra também deverá mostrar se serão necessários ajustes na posição das boias, na sinalização ou na fiscalização. Por enquanto, a nova estrutura começa a ser incorporada ao cotidiano de uma praia onde convivem diariamente banhistas, nadadores, pescadores e praticantes de diferentes esportes náuticos.