Entre tantas novidades que chegam aos catálogos dos serviços de streaming, algumas produções continuam sendo lembradas mesmo anos depois de sua estreia. É o caso de “Mindhunter”, série da Netflix criada por David Fincher que acompanha o início dos estudos de psicologia criminal dentro do FBI. Lançada em 2017, a produção recebeu 97% de aprovação da crítica e 95% do público no Rotten Tomatoes e reúne 19 episódios em duas temporadas.
A história se passa no fim dos anos 1970 e acompanha os agentes Holden Ford, interpretado por Jonathan Groff, e Bill Tench, vivido por Holt McCallany. Os dois trabalham com a psicóloga Wendy Carr, papel de Anna Torv, na recém-criada Unidade de Ciências Comportamentais do FBI. O grupo começa a entrevistar assassinos em série presos para tentar compreender seus padrões de pensamento, desenvolver técnicas de perfil criminal e utilizar essas informações na investigação de outros crimes.
Em vez de concentrar a trama na busca por um criminoso ou em cenas de ação, “Mindhunter” coloca os diálogos e a análise psicológica no centro da narrativa. As entrevistas são longas e desconfortáveis, e os assassinos retratados são inspirados em criminosos reais. A primeira temporada apresenta nomes como Edmund Kemper, Montie Rissell, Jerry Brudos, Richard Speck e Dennis Rader. Na segunda, parte da história se volta para os assassinatos de Atlanta, ocorridos entre 1979 e 1981 e que deixaram pelo menos 28 vítimas, a maioria crianças.
A direção de Fincher contribui para o tom da série, com uma estética fria e precisa e uma atmosfera que acompanha o caráter quase clínico das investigações. A tensão é construída principalmente por conversas, silêncios, expressões e observações dos investigadores, sem depender de sequências constantes de violência ou reviravoltas. O resultado aproxima a produção de um estudo sobre a psicologia dos criminosos e sobre a forma como os investigadores tentam compreender comportamentos violentos.
Apesar da boa recepção, “Mindhunter” ficou restrita às duas temporadas lançadas em 2017 e 2019. Em 2023, Fincher explicou por que uma continuação não avançou. “Estou muito orgulhoso das duas primeiras temporadas. Mas é uma série muito cara e, aos olhos da Netflix, ainda não atingimos um público grande o suficiente para justificar o investimento”, afirmou. O diretor, no entanto, continuou trabalhando com a plataforma em outros projetos, como “Mank” e “O Assassino”, além de ter sido produtor executivo de “House of Cards” e “Love, Death & Robots”. Sem novos episódios desde 2019, a série permanece com duas temporadas e 19 capítulos, mantendo o reconhecimento obtido entre crítica e público por sua abordagem centrada na psicologia criminal.