Jovem que viveu em instituições de acolhimento em Salvador vai estudar no Canadá e revela planos para o futuro

Jovem que viveu em instituições de acolhimento em Salvador vai estudar no Canadá e revela planos para o futuro

Redação Alô Alô Bahia

redacao@aloalobahia.com

Luana Veiga

Reprodução

Publicado em 09/10/2026 às 16:04

O estudante Antônio José Santos dos Anjos, do 4º semestre de Serviço Social da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, conquistou uma vaga em um intercâmbio no Canadá, onde estudará inglês e francês a partir de 2027. A oportunidade marca um novo capítulo na trajetória do jovem, que passou parte da infância e da adolescência em instituições de acolhimento em Salvador.

A indicação da UFRB permitiu que Antônio participasse do processo seletivo do programa. Dois anos após ingressar no ensino superior, ele se prepara para ampliar seus conhecimentos em idiomas e viver uma experiência acadêmica internacional.

A conquista, segundo o estudante, também reflete o apoio de pessoas que acreditaram em seu potencial ao longo da vida. Atualmente, Antônio preside o Movimento Além do Acolhimento, organização liderada por jovens que passaram por serviços de acolhimento institucional ou familiar. A entidade atua na defesa de direitos, na promoção da autonomia e na formulação de políticas públicas voltadas a quem precisa construir a própria vida após deixar esses serviços.

Sua experiência também inspirou o primeiro livro de sua autoria, Onde se escondeu o afeto?, no qual aborda questões relacionadas ao acolhimento e à busca por vínculos afetivos.

Antônio ingressou no sistema de acolhimento aos 9 anos e passou por diferentes instituições durante a infância e a adolescência. Aos 17, participou da campanha Filhos são Eternos Bebês, iniciativa do Tribunal de Justiça da Bahia (TJBA) que busca incentivar a adoção de crianças mais velhas e adolescentes. Embora a adoção não tenha sido concretizada, o processo proporcionou ao jovem a experiência da convivência em um ambiente familiar.

Além de concluir a graduação em Serviço Social, Antônio pretende cursar Direito e seguir carreira na magistratura. Para ele, o objetivo profissional também está ligado à própria história e ao desejo de contribuir para mudanças na rede de proteção a crianças e adolescentes.

“Quero ser juiz para dar uma resposta à minha história. Quero cobrar da rede que cumpra seu papel e acolha em vez de afastar esses jovens”, afirma.

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