O ator Guilherme Leme Garcia chega a Salvador em novembro com uma nova montagem de “O Estrangeiro”, clássico de Albert Camus. Com direção de Vera Holtz, o monólogo será apresentado nos dias 6 e 7 de novembro, no Teatro Sesc Casa do Comércio,
A sessão de sexta-feira (6) acontece às 20h, enquanto no sábado (7) a apresentação será às 19h. Os ingressos custam a partir de R$ 25 e podem ser adquiridos através da plataforma Sympla e nas bilheterias do teatro.
Publicado originalmente em 1942, O Estrangeiro integra a chamada trilogia sobre o absurdo de Camus, ao lado de O Mito de Sísifo e Calígula. Na montagem, Guilherme interpreta Meursault, personagem cuja vida aparentemente banal muda completamente após receber a notícia da morte da mãe.
A partir daí, ele se envolve em um crime, é preso, julgado e condenado. A trajetória do personagem coloca em cena questões relacionadas à relação entre o indivíduo, a sociedade e a lei, além da busca por sentido diante de acontecimentos que parecem escapar a qualquer explicação.
Meursault não encontra respostas na fé, na religião ou em ideologias e passa a encarar a própria existência diante do que Camus chama de absurdo.
Montagem ganha linguagem multimídia
A principal novidade desta versão está justamente na forma como a história é apresentada ao público. A versão multimídia surgiu depois que o espetáculo foi convidado a ocupar uma sala de cinema, o que impossibilitou a utilização do desenho de luz da montagem teatral original.
A solução encontrada por Guilherme Leme Garcia foi transformar a própria tela em parte da dramaturgia. Ao lado do irmão, o ator criou uma videoarte de uma hora que dialoga diretamente com sua performance ao vivo.
“Em vez de esconder a tela de cinema, resolvi transformá-la em parte da dramaturgia. Eu e meu irmão criamos uma videoarte de uma hora que dialoga o tempo inteiro com a performance ao vivo”, explica.
Na concepção visual, o ator também buscou responder a uma pergunta sobre quem seria a verdadeira testemunha da história de Meursault.
“Passei a pensar quem seria a verdadeira testemunha dessa história. Percebi que não era o sol, mas a praia, onde tudo acontece”, conta.
A videoarte acompanha os três principais momentos da narrativa — o crime, o julgamento e a prisão — por meio de imagens em ritmo extremamente lento, inspiradas na linguagem do artista norte-americano Bill Viola.